BRASIL ► Professora é vítima de preconceito racial: 'Você faz faxina?' - Observador Independente

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sábado, 22 de julho de 2017

BRASIL ► Professora é vítima de preconceito racial: 'Você faz faxina?'

A historiadora e professora Luana Tolentino, de 33 anos, foi mais uma vítima do preconceito racial. Na última terça-feira (18), ela seguia para o trabalho, em Belo Horizonte, Minas Gerais, por volta das 6h30, quando foi surpreendida por uma mulher e uma pergunta: "Você faz faxina?". Espantada com a abordagem, Luana respondeu: "Não. Faço mestrado. Sou professora". Com a resposta, a mulher, que a historiadora jamais tinha visto, seguiu adiante.

- Primeiro eu tive um impacto, mas infelizmente é algo recorrente. É como se fosse um soco no estômago e você perde o ar, sabe? Mas aí, como a gente passa por um longo processo de afirmação, eu consegui responder. Ela não respondeu mais e ficou impactada pela minha resposta. Ela foi andando pra trás e ficou me olhando e eu segui. A linguagem corporal dela disse muito. Acho que o constrangimento dela impediu que ela dissesse qualquer coisa - falou Luana.

Luana, que já foi faxineira e há nove anos é professora, afirmou não ter ficado ofendida pela pergunta da mulher.

- Eu já fui faxineira e acho uma profissão muito digna. Não fiquei ofendida. Algumas pessoas falaram para mim, "ah, mas só porque ela achou que era faxina?" Não é isso. É um sentimento de "poxa vida, por que ela tem que achar que eu só posso ser faxineira?". É um descontentamento. Por que me abordar e falar isso? ÉO que me dói é as pessoas me lerem dessa forma, por ser negra. Foi muito invasivo - disse.

Luana fez uma publicação nas redes sociais contando a história, ocorrida na última terça-feira. O post teve mais de 2 mil compartilhamentos. No texto, ela fala sobre como o preconceito contra negros é enraizado na sociedade.

"No imaginário social está arraigada a ideia de que nós negros devemos ocupar somente funções de baixa remuneração e que exigem pouca escolaridade. Quando se trata das mulheres negras, espera-se que o nosso lugar seja o da empregada doméstica, da faxineira, dos serviços gerais, da babá, da catadora de papel", escreveu.

Essa não foi a primeira vez que Luana foi vítima de preconceito. Segundo ela, casos como esses são comuns.

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