SOBRE CRIME ORGANIZADO E IMPUNIDADE ☼ Como é organizada a pauta de parar o país e por que tem sido cada vez mais frequente? - Observador Independente

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

SOBRE CRIME ORGANIZADO E IMPUNIDADE ☼ Como é organizada a pauta de parar o país e por que tem sido cada vez mais frequente?

Os cartazes anunciando “greve geral” já fazem parte do visual de Salvador. Cada vez mais frequentes, as manifestações que param o Brasil têm marcado presença em pontos fixos da capital baiana. As regiões do Iguatemi e Campo Grande costumam receber a cor vermelha, que representa o ato #ForaTemer e o bairro da Barra se pinta de verde e amarelo em apoio ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava Jato.

As mais recentes mobilizações nacionais aconteceram no dia 28 de abril e em 30 de junho, ambas caíram no mesmo dia – uma sexta feira – e tinham o mesmo propósito: protestar contra as reformas trabalhistas e previdenciárias propostas pelo governo Michel Temer (PMDB), além de pedir por eleições diretas.

A intenção dos sindicatos é de que a onda de paralisações afete os trabalhos de vários setores do país. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 28 de abril deste ano, 27 estados brasileiros aderiram à greve em assembleias nas mais diversas categorias. Metroviários, bancários, professores, aeronautas, metalúrgicos, correios e químicos estão entre elas.

A última mobilização desse tipo foi em junho de 1996, quando as forças sindicais protestaram pela manutenção dos direitos dos trabalhadores e contra as políticas econômicas do então presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC). 

SITUAÇÃO

De acordo com o coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), Jaufran Siqueira, as manifestações são um “termômetro da população”. “Nós decidimos se vamos ou não para as ruas a partir do acolhimento dos fatos políticos que estão dentro da nossa bandeira, como o apoio à Lava Jato e observando o clamor da população, que está cada vez menos atuante nas ruas, por causa do contexto político atual”. A página do Facebook do MBL tem mais de 5 mil curtidas e, de acordo com Siqueira, “dá uma noção da atual situação da aceitação do movimento. Se a população vai abraçar uma ida nossa às ruas ou não”.

A mais recente mobilização aconteceu no dia 26 de março deste ano, na companhia de outros grupos com a mesma bandeira liberal que o movimento. Considerado apartidário, o MBL tem sedes em todas as capitais do Brasil, com quinze núcleos na Bahia, mas Siqueira garante que o número de adesão aos atos tem diminuído.

“A gente tá vendo a Lava Jato sofrer retaliação de todos os lados e isso acaba respingando em nós. Na nossa última manifestação tivemos mais de duas mil pessoas na Barra. Um número baixo, se comparado com as manifestações pró impeachment”. Sobre as datas escolhidas para os atos, o coordenador do movimento explica que as discussões são feitas pelas redes sociais, que também são usadas para organizar os atos. “Nós entramos em contato com a prefeitura, Transalvador e outros órgãos porque a ideia é causar o mínimo de transtorno possível e só depois decidimos a data”, explica.

Siqueira conta que, apesar de não serem tão atuante fisicamente na cidade, o movimento trabalha internamente cobrando deputados e senadores a aprovação de pautas propostas pelo MBL. “Pedimos, por exemplo, que o PSDB rompesse com o presidente, mas nem sempre nossa pressão é levada a sério”.

OPOSIÇÃO

Otávio Aranha, diretor estadual do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), militante no Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes-SN) e um dos organizadores do evento “Greve Geral 30/6”, que reúne mais de 1500 pessoas no Facebook, explica que as datas são decididas em reuniões conjuntas, com a participação das direções de todas as Centrais Sindicais do país. “Além deles, participam também federações, organizações e coletivos, a decisão é tirada por consenso mesmo. Normalmente é avaliada a data ou período próximo das votações das reformas trabalhistas e previdenciária no Congresso, que é a principal pauta das greves gerais”.

Sobre os resultados obtidos com a paralisação, Aranha defende que o ato é um mecanismo importante para pressionar o governo e dialogar com a sociedade. “Um dia sem funcionar a fábrica ou o comércio representa um prejuízo de bilhões de reais aos grandes empresários​, os mesmos que sustentam política e financeiramente o governo e os congressistas que ameaçam retirar nossos direitos com as Reformas da Previdência e Trabalhista”.

Os sindicatos e organizadores do movimento contam com a ajuda das redes sociais para divulgar as datas e locais das manifestações, mas a convocação não fica apenas no mundo virtual. “A mobilização ocorre mais intensamente no mundo real, no corpo a corpo. Nas categorias organizadas, os sindicatos debatem sobre o assunto e deliberam pela adesão ou não a greve. Para além dos setores onde não há sindicatos organizados ou atuantes, fazemos panfletagens em pontos estratégicos de concentração ou passagens de pessoas, como na Estação da Lapa/Piedade e na passarela do Shopping Iguatemi, por exemplo.

Como é impossível atingir a todos, as redes virtuais funcionam para potencializar este processo de mobilização real. Neste evento em específico do 30 de junho, convidamos pessoas próximas, amigos no Facebook e pedimos para divulgar para seus “amigos”. O problema que houve na divulgação desta greve foi a “indefinição” das Centrais sindicais em se decidirem logo pela definição da data da greve. Mas apesar disso, a greve existiu e cumpriu o seu papel”, explica Aranha.

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