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20 de novembro de 2018

SALVADOR @ Falta de bonecas negras leva baiana a criar linha de brinquedos afirmativos: 'Ferramentas de construção de identidade'

Crédito da foto :: Divulgação     




"Procuram-se bonecas pretas, procura-se representação". O refrão da música cantada pela baiana Larissa Luz reflete a escassez de representatividade no mercado infantil, que foi o pontapé para a criação da Amora Brinquedos Afirmativos, iniciativa da designer baiana Geo Nunes.

Para desenvolver uma ação social de Dia das Crianças, em Salvador, ela foi atrás de brinquedos que representassem as crianças da capital mais negra do país, mas não achou o suficiente.

"Encontrei na loja de brinquedos, entre centenas de bonecas e dezenas de prateleiras, apenas uma boneca preta. Um modelo que não tinha roupa, apenas uma fraldinha colorida. Para as bonecas loiras, havia fadas, médicas, dançarinas e diversas outras. Então, a sementinha foi plantada em outubro de 2015 e ficou germinando, mas o projeto surgiu, de fato, em 2016".

Geo explica que os brinquedos da Amora partem de uma necessidade social de reafirmar a identidade da criança que tem acesso ao objeto.

"A pergunta que fica sempre é por que que os brinquedos, que são uma das primeiras ferramentas de construção de identidade oferecidas para o indivíduo ainda na infância não versam sobre a diversidade do nosso país? Por que se insiste em universalizar uma tez como sendo a única existente quando temos diversas tonalidades de pele?", questiona Geo.

Todos os modelos da Amora têm vestimentas que fazem referência à cultura africana, seja nas estampas das roupas, nos turbantes ou mesmo na cauda de sereia.

"Minha cabeça não para, em tudo eu vejo referências. O turbante faz parte da identidade da Amora, todas as Amoras têm turbante, mesmo as sereias. As sereias fazem referência à religião de matriz africana, tanto que uma delas se chama Ynaê, um dos muitos nomes atribuídos a Yemanjá", diz Geo.

Para ser ainda mais inclusiva, a Amora também produz bonecos. A "Turma da Amorita" perpassa pela diversidade cultural e identitária do povo negro, desde os cabelos às referências de personagens históricos.

"A turma da Amorita são três personagens, Luiz, Luiza e Mai. A ideia deles é dar ainda mais diversidade, já que cada um tem suas características próprias. Mai, por exemplo, tem cabelos 'blackpower' e quer ser juíza quando crescer; Luiza – que possui o nome inspirado em Luisa Mahin, tem o cabelo de dreadloacks rosa e será estilista de moda; enquanto Luiz, que eu possui o nome inspirado em Luiz Gama quer ser um astronauta famoso da Nasa".





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