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14 de novembro de 2018

SALVADOR @ Riachão comemora 97 anos nesta quarta como um verdadeiro patrimônio da Bahia

Crédito da foto : Divulgação    




Autor de sambas imortais como "Somente Ela", "Cada Macaco no seu Galho" e "Vá Morar Com o Diabo", ele trocou a boemia pela horta.



O ex-funcionário do Desembanco, Clementino Rodrigues, comemora 97 anos bem vividos nesta quarta-feira, 14 de novembro. Pode parecer uma notícia sem importância, como tantas outras. Mas se a gente trocar o nome de batismo pelo apelido e o emprego público pela real profissão do homem, aí a coisa muda de figura. 

Senão vejamos: o sambista Riachão comemora 97 anos, muito bem vividos, neste dia 14 de novembro de 2018. Sim, hoje é aniversário de Riachão, personalidade central da música e da cultura baianas e autor de sucessos como "Somente Ela", "Cada Macaco no seu Galho" e "Vá Morar Com o Diabo".

Aliás, qual seria a origem do apelido que se ligou ao sambista como unha e carne? "Na Bahia, quando um sujeito era destemido e brigava muito, era chamado de riachão. Quando criança, eu admirava muito Lampião, não tirava um punhal da cintura. Sentia prazer em ser o Riachão. Mas este seu amigo há muitos anos passou a odiar a violência. Nem na TV vejo mais programas de agressão", explicou ele, em matéria da Folha de São Paulo de 2001.

Pelo contrário, Riachão é uma figura doce que corteja jovens e velhos, homens e mulheres, ricos e pobres com a gentileza de um nobre nato. "Uma vez eu estava no Fórum Ruy Barbosa quando chegou um senhor me oferecendo balas, queimados... Era um senhor engraçado, já bem velhinho, mas muito ativo e que me cativou. Aceitei os doces e fiquei intrigada com aquela figura. Só minutos depois foi que identifiquei, reconheci, era Riachão!", conta a advogada Mariana Risério Menezes. 

Ativo ainda hoje nos palcos da vida, Riachão, que lançou em 2013 o álbum "Mundão de Ouro" (sendo 13, entre as 15 faixas, inéditas) deixou a boemia há alguns anos, mas compensa e preenche o tempo com o trabalho na horta que mantém no quintal de sua casa, no bairro do Garcia, o mesmo em que nasceu e se criou.

Foi o então menino do Garcia, com apenas 15 anos, que modificou o panorama do samba na Bahia. Ele gosta de contar o caso em que se deparou com um recorte de jornal ou revista que estampava o terrível anátema: "Se o Rio não escreve, a Bahia não canta". "Cheguei em casa machucado com isso. Foi quando Jesus me mandou o primeiro samba: 'Sei que sou malandro, sei / conheço meu proceder...". Que emoção quando isso chegou ao meu juízo. Cantei o dia inteiro. Com 15 anos comecei, com essa música", diz.

Entre os frutos desse surto criativo, que devolveu o caráter autoral ao gênero em Salvador, podem ser citados não apenas os sambas do próprio Riachão, mas também as obras de Batatinha, Ederaldo Gentil, Edil Pacheco e tantos outros. 

Em 1972, quando Caetano Veloso e Gilberto Gil voltaram do exílio em Londres e procuravam uma música com marcado gosto local para gravar, alguns tentaram tirar Riachão da jogada escondendo dele a disputada audição. Quando, porém, os tropicalistas ouviram "Cada Macaco no seu Galho (Xô-Xuá)", não deu outra: mais um sucesso na carreira do malandro!

Décadas depois, no auge do pagodão protagonizado pelo grupo É o Tchan, a Gang do Samba, com Massal nos vocais e o rebolado de Rosiane Pinheiro, regravou essa mesma "Xô-Xuá" - numa demosntração inequívoca da vitalidade, da juventude e da atualidade eterna de Riachão. 

Cronista da cidade, cantor romântico, irreverente, respeitoso, malandro e ingênuo, o artista que hoje celebra 97 anos é um verdadeiro patrimônio da Bahia. Um monumento, que também vive a subir e a descer, como o Elevador Lacerda, que ele ajudou a imortalizar no seu "Retrato da Bahia". Viva, Riachão!



Matéria de James Martins  / Publicação original Metro1 

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