CAMAÇARI @ Suspeita de cobrar propina para liberar obras, ex-secretária é denunciada por improbidade administrativa - Observador Independente

CAMAÇARI @ Suspeita de cobrar propina para liberar obras, ex-secretária é denunciada por improbidade administrativa

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Juliana Paes, ex-secretária acusada pelo MP de liderar quadrilha que cobrava propina para liberar obras na Bahia — Foto: Reprodução/Bocão News / Reprodução



Juliana Paes foi secretária do município até abril deste ano, quando foi exonerada e em seguida, recebeu cargo de assessora especial.


O Ministério Público do Estado (MP-BA) ofereceu denúncia de improbidade administrativa contra Juliana Franca Paes, assessora especial de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, e outras seis pessoas. A ação foi recebida pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) na última terça-feira (4) e os envolvidos vão responder ao processo.

O portal tentou, mas, até esta publicação, não conseguiu contato com Juliana Paes. Conforme apontam as investigações do MP-BA, ela é suspeita de liderar uma quadrilha que cobrava propina para liberar a execução de obras no município.

O marido de Juliana e outras cinco pessoas, a maioria delas servidores públicos municipais, também respondem ao processo por serem suspeitas de integrar o mesmo grupo. Eles foram denunciados em 8 de fevereiro por associação criminosa, corrupção passiva e peculato.

A assessora foi secretária municipal de Desenvolvimento Urbano da mesma cidade onde atua e foi exonerada em abril deste ano, após uma reforma administrativa feita pela prefeitura. Na época, Juliana disse que a exoneração não estava relacionada com a acusação do Ministério Público, que segundo ela, não foi provada.

Na decisão pelo recebimento da ação, o juiz César Borges de Andrade afirma que foram demonstrados pelo MP "indícios contundentes da prática de improbidade administrativa".

Ainda de acordo com a ação, o marido da secretária mantinha, dentro da secretaria, uma sala na qual apresentava-se como servidor público recebia empresários para negociar a expedição de alvarás para construção de empreendimentos imobiliários, sob a contrapartida de pagamentos de propina que, em alguns casos, chegou ao valor de R$ 150 mil.

Denúncias

Segundo o promotor de Justiça Everardo Yunes, Juliana Paes e o marido chefiavam a quadrilha que exigia propinas de empresas e investidores interessados na aprovação de empreendimentos imobiliários de médio e alto luxo em Camaçari.

O órgão afirma que representantes de cinco empresas e duas testemunhas prestaram depoimento e confirmaram cobrança de propina pela secretária, entre elas o subsecretário da pasta, José Matos, que pediu exoneração do cargo.

Após a denúncia, a Justiça determinou, ainda em fevereiro deste ano, que Juliana fosse afastada do cargo. No entanto, no início de março, a Justiça derrubou a decisão que afastou Juliana e ela retornou ao cargo. Em seguida, ela foi exonerada, mas não deixou o cargo público, já que atua como assessora especial na gestão de Camaçari.

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