Baiana faz história ao ser 1ª candidata cadeirante à Deusa do Ébano do Ilê Aiyê: 'Quero representar' - Observador Independente

Baiana faz história ao ser 1ª candidata cadeirante à Deusa do Ébano do Ilê Aiyê: 'Quero representar'

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Cadeirante foi a primeira candidata a concorrer à Deus do Ébano na história do Ilê Aiyê — Foto: TV Bahia


Josy Brasil, como é conhecida, tem 33 anos e ficou paraplégica em 2017, após um acidente de carro em Milão. Comunicóloga morava no país europeu desde os 19 anos.



Os movimentos da dança afro ganharam novos contornos com a baiana Josimare Cristo Reis, cadeirante que concorreu à "Deusa do Ébano", concurso que escolhe a rainha do bloco tradicional Ilê Aiyê no carnaval de Salvador. Após 14 anos na Itália, Josy Brasil, como é conhecida, voltou à Bahia para fazer história: ser a primeira candidata cadeirante à "Rainha do Ilê" deste ano.

"Eu sempre quis participar, sempre me vi representando e pensei: agora é minha vez", disse Josy.

A comunicóloga de 33 anos surpreendeu durante a escolha das quinze mulheres que vão disputar o título da 40ª Rainha do Ilê. Para Antônio Carlos dos Santos, conhecido como Vovô do Ilê, um dos fundadores do bloco, que completa 46 anos esse ano, a inscrição de Josy foi uma surpresa.

"Nunca tinha acontecido. Foi surpresa para nós. Ela foi bem recebida e a repercussão foi bastante positiva", contou Vovô.
Cadeirante foi a primeira candidata a concorrer à Deus do Ébano na história do Ilê Aiyê — Foto: TV Bahia



A dançarina contou que nunca havia feito a inscrição para o concurso da Deusa do Ébano, pois não conseguia tempo suficiente para ficar no Brasil durante o tempo em que morou na Itália.

"Eu não tinha como chegar aqui, um mês e meio antes, e ficar...lá [na Itália] a demanda de trabalho era muito grande", contou.

Apesar de não ter sido selecionada como finalista, que contou com mais de 100 candidatas no dia 12 de janeiro, Josy Brasil conta que a participação dela foi uma forma de incentivar outras cadeirantes a participarem do concurso.

"Eu quero representar a condição que eu me encontro hoje, como cadeirante, e negra. Agora, imagine, o ser preto e o ser cadeirante, tudo em uma coisa só. E ser mulher. É muita responsabilidade. Então, eu vi, no Ilê, uma forma de representar todas essas pessoas", disse.

História

Josy, natural da cidade de Alagoinhas, a 120 quilômetros de Salvador, foi morar na Itália com 19 anos após um conselho da tia, que mora na Alemanha. No país europeu, ela se formou em comunicação, trabalhou e abriu a própria agência de eventos. Foi no trabalho que a afinidade com a dança ficou mais estreita.

"Quando cheguei lá [na Itália] eu queria trabalhar. Achei um restaurante brasileiro, bati na porta falando português e pedi um emprego. Comecei a trabalhar, conheci grupos de brasileiros que iam fazer shows na Itália e essas pessoas ficavam me perguntando porque eu não dançava lá [na Itália]. Foi daí que comecei a dançar, mas não tinha nenhuma referência da dança aqui na Bahia", explicou.

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