Crise na Venezuela: OEA cancelará saída do país e expulsará representantes de Maduro, diz novo embaixador - Observador Independente

Crise na Venezuela: OEA cancelará saída do país e expulsará representantes de Maduro, diz novo embaixador

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Protestos e queda de braço entre governo e oposição provocam terremoto social na Venezuela.

O Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) deve cancelar, nesta quinta-feira, o pedido de desligamento da Venezuela feito por Nicolás Maduro em abril de 2017, além de anunciar a retirada de todos os membros do governo bolivariano de postos oficiais da entidade.

As decisões devem ser anunciadas em reunião extraordinária do Conselho, marcada para às 14h (horário de Brasília), após pedido de representantes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos e Peru.

Em abril de 2017, o presidente Maduro anunciou a saída "imediata" da Venezuela da OEA após a organização convocar uma reunião para discutir a situação humanitária do país.

"(A saída) é um passo gigante para romper com o intervencionismo imperial", argumentou o socialista na época. Inédito na história da OEA, o processo para o desligamento completo se completaria em abril de 2019, de acordo com as regras da organização.

"A decisão do Conselho Permanente será acolher a ideia de que a Venezuela permaneça no sistema interamericano", revelou em entrevista à BBC News Brasil, o diplomata Gustavo Tarre Briceno, nomeado como novo representante especial da Venezuela na OEA por Juan Guaidó.
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Não estamos pedindo que iniciem um golpe de Estado, não estamos pedindo que vocês atirem. Estamos pedindo que não atirem em nós', disse Guaidó em mensagem aos militares

Líder oposicionista e chefe da Assembleia Nacional destituída por Maduro, Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela com o apoio de pelo menos 12 países, incluindo EUA e Brasil, além do próprio secretário-geral da OEA, Luis Almagro. Desde então, Guaidó vem anunciando membros do governo paralelo que se instala no país.

"O segundo ponto previsto pelo Conselho Permanente será reiterar a decisão anterior que declarou ilegítimo o governo de Nicolás Maduro e, por consequência, declarar que a presença da representação diplomática venezuelana que esta lá até o momento é igualmente ilegítima e deve retirar-se", anunciou Tarre Briceno, que deve assumir o lugar da atual representante venezuelana no órgão, a embaixadora Carmen Luisa Velásquez.

"Resolveu-se que o governo (Maduro) não seria legítimo", reiterou o venezuelano. "Por consequência lógica, se é ílegitimo, seus representantes na OEA também são."

As informações dadas pelo novo embaixador foram confirmadas à BBC News Brasil por outras duas autoridades presentes nas discussões sobre o tema em Washington. O governo de Nicolás Maduro ainda não foi informado oficialmente sobre as medidas.
Isolamento

Na quarta-feira, o chefe da OEA parabenizou e reconheceu a nomeação de Tarre Briceno para o cargo.

O gesto não foi isolado. Também na quarta, Almagro anunciou reconhecimento ao governo de Guaidó, afirmando que ele "tem nosso apoio para impulsionar o retorno do país à democracia".


Já no último dia 10, horas depois da posse de Maduro, em Caracas, a Organização dos Estados Americanos aprovou uma declaração conjunta apontando que não reconhece a legitimidade do novo mandato bolivariano.

No poder desde 2013, Maduro foi reeleito em maio de 2018 em votação condenada pela comunidade internacional e boicotada pela oposição de seu país.

Brasil, Estados Unidos e Colômbia estiveram entre os principais articuladores da decisão de não reconhecer o novo mandato, vista como mais um esforço de pressão de setores da comunidade internacional para sufocar o governo do socialista por vias diplomáticas - ou seja, sem recorrer aos riscos políticos e humanitários de um eventual emprego de forças militares estrangeiras, rechaçada na quarta-feira pelo presidente interino do Brasil, general Mourão.

Segundo Tarre Briceno, as decisões a serem anunciadas nesta quinta-feira foram discutidas previamente com os Estados Unidos (representados na OEA pelo embaixador Carlos Trujillo) e com os membros do grupo de Lima, formado como bloco opositor à Venezuela por chanceleres de 12 países, incluindo o Brasil.

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