RESENHA MMA BRASIL: UFC WICHITA - Observador Independente

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10 de março de 2019

RESENHA MMA BRASIL: UFC WICHITA

Crédito da foto :: Divulgação MMA-Brasil 




Alexandre Matos // MMA Brasil




ESPN melhor canal do mundo, nunca critiquei. Nem que seja o americano, em streaming. Faltam poucos minutos para uma da madruga e já estamos aqui digitando essas maltraçadas linhas da Resenha MMA Brasil: UFC Wichita, que conta tudo sobre o evento que aconteceu no estado do Kansas, neste sábado (pelo menos a parte que eu consegui assistir ao vivo).

O evento nos entregou um candidato a round do ano, uma luta principal em ritmo de carnaval baiano, um brasileiro com pouca mídia e muitas vitórias seguidas e otras cositas más.

Vamos em frente que temos o que falar, pelo menos do card principal.

DA CORDA DO CHICLETE PARA WICHITA

Se Junior Cigano terminou seu camp de treinamento em Salvador, na semana que se encerrou, colheu resultados. Com momentos de cordeiro do Nana juntando folião da pipoca querendo invadir o bloco, o ex-campeão dos pesados nocauteou o último desafiante, Derrick Lewis, num duelo engraçadamente movimentado. Só faltou a PE baiana descendo a borracha.

O americano, ostentando uma pança reduzida, ensaiou umas quicadas, parecendo ágil risos. O hômi até mandou joelhada voadora, ora vejam vocês. Já Cigano começou com uma estratégia correta, chutando as pernas de Lewis e se movimentando. O problema é que o Cigano pós-Velasquez não é totalmente confiável e podia acabar parando na frente da “Fera Negra”. E Derrick não era aquele poste estático de oportunidades recentes. Tentou uns chutes altos meio mondrongos, mas que deram uma dinâmica inesperada ao combate, especialmente quando o americano entendeu o tempo dos chutes baixos do rival e retaliou com socos que atingiam o alvo antes de ser atingido.

O estado físico atual do brasileiro acaba o traindo. Depois dos chutes baixos, o ex-campeão usou o boxe alongado, com a intenção de executar um soco em linha reta ou um overhand bem de longe para rapidamente voltar à base de equilíbrio. Porém, era nítido que a coordenação não é mais a de antes.

Grande momento da luta, parte um: Cigano junta Lewis na grade e acerta um overhand. O americano dobra, dando a impressão de estar sentindo dor. Junior se aproxima e… tchã-rã! Lewis tira um bolo punch no melhor estilo Scott Smith, que o próprio Derrick já tinha imitado outrora. Cigano chegou a colocar a mão no solo, mas se levantou rapidamente e tratou de se picar dali.

Grande momento da luta, parte dois: Cigano acerta um chute rodado na linha de cintura de Lewis. O sujeito deu uma de malandro-agulha de novo e Cigano caiu novamente. Derrick se afastou, ainda aparentando dor. Ele se manteve com o tronco em 90º. O que Junior fez? Se aproximou e levou a terceira! Acredite se quiser, mas Lewis tentou a malandragem pela quarta vez, mas agora o brasileiro conseguiu ficar do lado e acertar alguns socos.

Segundo assalto e pá, Lewis se mostrando ágil chutando alto. Teve até um momento em que ele tentou uma queda parecendo criança jogando os brinquedos pra baixo da cama sob ameaça da mãe. “Não vai aguentar 25 minutos nesse ritmo”, pensei. Chegou nem perto disso.

Cigano conseguiu um cruzado de direita, que explodiu na têmpora. Lewis dobrou, agora de verdade, e ficou à mercê de mata-cachorro, murro, cachação, moca, cascudo. Dos Santos incorporou o cordeiro do Chiclete: “Ruma la disgrama!”. Quando Lewis se levantou, ouviu a voz da Alessandra dizendo “Sinal de GPS perdido” e a mensagem de “Traçando nova rota”. Ele deu um passo para frente e caiu sentado para trás. Tome de ground and pound. A PE, digo, Herb Dean, chegou para acabar com o conflito.

Como Diego Tintin disse na prévia, havia duas possibilidades para esta luta. Na primeira, Elizeu Capoeira usaria a cabeça e buscaria a luta de solo, terreno no qual Curtis Millender mostra habilidade de um jabuti com o casco virado. A segunda possibilidade, esta mais aceitável, era que os dois protagonizariam um quebra-pau daqueles.

Capoeira deu uma mostra que as vitórias seguidas, agora sete, não são por acaso. O paranaense mostrou sabedoria para rapidamente chegar ao chão. Millender tentou uma guilhotina, mas o brasileiro sabia que era fogo de palha e logo se estabeleceu em posições dominantes. Foram duas montadas, alguns botes e cacetes no ground and pound. Capoeira fluía com tanta naturalidade que parecia Lucas Lepri, o que nem é de perto o caso. Apesar de ser aluno do excelente Cristiano Marcello, Elizeu não prima pela arte suave. Mas diante de Millender…

Quando teve a oportunidade, Capoeira chegou às costas de Curtis, encaixou o mata-leão e encerrou a contenda sem sofrer um único golpe sequer. A luta foi tão tranquila que ele pode tirar dez dias de férias e voltar aos treinos para lutar no Rio, no UFC 237.

Uma informação curiosa: a única derrota de Capoeira no UFC aconteceu na estreia, contra Nicolas Dalby. Desde então, o brasileiro venceu sete seguidas. Já o dinamarquês empatou uma, perdeu três em sequência e foi demitido. Hoje, ambos lutaram. O derrotado de 2015 está batendo na porta do top 10 do UFC. Dalby conquistou o cinturão interino do Cage Warriors, o mesmo prêmio que lhe levou ao UFC.

O QUE SERIA DO MMA SEM GENTE COMO NIKO PRICE E TIM MEANS?

Eu adoro demonstrações de técnica apurada. Sempre fico feliz quando a técnica sobrepõe a força e a brutalidade. Cigano sempre tem que vencer Lewis. Mas grazadeus de vez em quando Papai do Chão nos brinda com anarquia pura incorporada nos maravilhosos Niko Price e Tim Means.

Não ouvi as instruções dadas aos lutadores, mas posso imaginar que Jeremiah Rodriguez virou para Price e disse: “Vai lá e foda-se, pica a porra nele”. No outro vestiário, Thomas Schulte chegou ao pé do ouvido de Means e sussurrou: “Sobe naquele octógono e promove o caos”.

Dada a ordem de partida pelo homem de preto e Price soltou um chute baixo despretensioso. Isso acionou o botão caótico em Means, que acelerou. O big bang entrou em ação com a resposta de Niko largando os braços para todas as direções da rosa dos ventos. Price acertou um uppercut violento, emendou numa joelhada e o palhaço já esticou o braço para amparar Means. Porém, o “Pombo Sujo” se jogou na cintura de Niko e o levantou acima do ombro para aplicar um quedão de grande amplitude quatro pontos no wrestling estilo livre.

Means executou um ground and pound severo. Price conseguiu girar para se levantar e levou uma joelhada na cabeça quando parecia estar em quatro apoios (não tenho certeza se a mão direita estava em contato com o chão, mas os dois pés e o joelho direito estavam). Niko se levantou claramente tonto e mais lento. Means fez um belo trabalho de hand fighting tirando os punhos de Price enquanto carimbava sua face. O round foi caminhando para o fim e Tim conseguiu dois golpes bastante duros. O segundo fez Niko quase tropeçar nas pernas. Era só a acelerada final para o nocaute. Means avançou contra Price acuado na grade e… CATAPIMBA! levou um gancho de direita demoníaco que o “Híbrido” tirou da casa do cacete. A pancada foi tão forte e inesperada que Means caiu por cima da perna. A cena foi tão horrorosa que deu a impressão de ter gerado uma fratura exposta.

 OUTROS DESTAQUES

– Beneil Dariush tem talento para não levar tanto susto contra Drew Dober, mas, quando conseguiu levar o duelo para o chão, aplicou o passeio que era esperado e finalizou com uma chave de braço muito bacana no fim do segundo assalto.

– Eu esperava um duelo feio entre Blagoy Ivanov e Ben Rothwell. O que eles fizeram foi isso mesmo, um duelo feio. Mas pelo menos era aquele feio engraçado, o que acabou tornando o confronto menos monótono do que prometia. Ivanov conseguiu apanhar menos (um pouco) e conquistou a primeira vitória no UFC.

– Quem viu Omari Akhmedov lutar pela primeira vez neste sábado pode ter ficado com a impressão de ter acompanhado um futuro desafiante. Não é o caso. A vitória tranquila aconteceu porque Tim Boetsch está pela hora da morte.
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