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21 de abril de 2019

Estuprada pelo irmão, baiana ajuda mulheres do Subúrbio Ferroviário em Salvador a denunciar e a seguir a vida após abusos



Márcia Guimarães/BNews
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O laço entre irmãos, além de ser de sangue, deveria ser de amor fraternal. Infelizmente, não é isso o que acontece em muitas famílias. A agente de saúde Marizete Pires, 53 anos, foi vítima de violência doméstica por parte de seu próprio irmão.

Por ser mulher e caçula de 10 filhos, ela era vista como uma propriedade por um de seus irmãos. Aos 13 anos, Marizete, que já sofria ameaças, foi estuprada pelo agressor, na época com 20 anos. Ele reclamava das roupas e da forma como ela falava, batia nela e queria mandar em tudo o que se referia a Marizete. O passo seguinte foi abusá-la sexualmente. A única coisa que não fazia era penetrá-la. Talvez para não ser pego em um exame que comprovasse a violação carnal.
Minha mãe era machista e dava todo o poder a ele porque era um dos mais velhos. Contei a ela sobre o estupro, mas ela não aceitou, achou que eu estava mentindo. Depois de dois anos me estuprando e por eu ter contado a minha mãe, aquele monstro me botou pra fora de casa. Como eu não quis sair, ele quebrou uma garrafa em minha cabeça, 
contou Marizete. Antes, ele já tinha quebrado a perna da adolescente.

Ela não chegou a denunciá-lo por estupro, mas deu queixa na delegacia por causa do ataque com a garrafa. “No entanto, a minha mãe tinha que assinar um termo de responsabilidade porque eu era menor de idade na época e ela se recusou a assinar. Então, o caso não prosseguiu. Ainda não havia o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e outros aparatos de proteção às crianças e adolescentes”, lembrou a vítima. 

Depois disso, aos 16 anos, ela foi morar e trabalhar em diversas casas como doméstica. Para ajudar mulheres a nunca passarem pelo que ela passou e apoiar vítimas de violência, Marizete formou o grupo “Mulher por Mulher do Subúrbio”, que atualmente tem 82 membros. 

A maioria é assistida pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), pois deu queixa sobre violência. Por eu morar perto da Deam de Periperi e fazer uma parceria com a assistente social de lá, a gente forma uma rede para ajudar a denunciar, para colaborar na hora do acolhimento das denúncias, procurar acompanhamento psicológico, fazer o enfrentamento à violência contra a mulher, além de realizar cursos de empreendedorismo,
descreveu Marizete. 

Cerca de 40 anos depois dos abusos, ela disse que a mãe se arrependeu e se sente culpada por tudo o que aconteceu com a filha. Marizete a perdoou, mas acha que as outras mães deveriam ser orientadas para acolher as denúncias e dar suporte às filhas. O irmão-estuprador continua vivendo com a matriarca da família, mas não trabalha e cedeu ao álcool.

Crédito da foto :: Reprodução/Arquivo pessoal


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