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13 de julho de 2019

Homens suspeitos de queimar jovem com ácido são indiciados por tentativa de feminicídio em Recife



Karina Martinez, correspondente em Recife PE

Os dois homens presos por suspeita de jogar ácido sulfúrico em Mayara Estefanny Araújo, de 19 anos, foram indicados nesta sexta-feira (12) por tentativa de feminicídio. O caso estava sendo tratado como lesão corporal grave. Depois das investigações, a polícia entendeu que os agressores pretendiam, na verdade, matar a jovem, que está internada em estado grave no hospital. 

Um dos presos é o ex-companheiro da mulher, William César dos Santos Júnior, de 27 anos. O outro é Paulo Henrique Vieira dos Santos, de 23 anos, apontado como homem que ajudou William a praticar o crime.

As informações sobre o indiciamento foram repassadas pela polícia durante entrevista coletiva realizada, nesta sexta, na sede da Delegacia da Mulher, em Santo Amaro, na área central do Recife.

Segundo a delegada Bruna Falcão, responsável pelo inquérito, o caso foi remetido ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que decide se denunciará, ou não, os dois à Justiça. Contra os suspeitos, a polícia reuniu provas testemunhais e de perícia, colhidas desde o dia da agressão.

O crime ocorreu no dia 4 de julho. No dia seguinte, Paulo foi preso. Outra pessoa foi detida e liberada por não ter ligação com o crime. William se entregou à polícia e foi preso no dia 8. William é agente de saúde e a prefeitura pediu seu afastamento. Em depoimento, ele disse à polícia que "queria dar um susto" na ex-companheira.

Um dos motivos que levaram a polícia a modificar a acusação de lesão corporal para feminicídio tentado foi a quantidade de ácido sulfúrico atirado contra a jovem. Além disso, segundo a delegada, Paulo mudou sua versão sobre o crime e confessou ter segurado a vítima a mando de William, que teria jogado o produto.

Segundo a delegada, no local do crime foi apreendido um pote de plástico, que teria sido usado para jogar o produto químico na jovem. Ela está internada em estado grave no Hospital da Restauração(HR), no Centro do Recife, sedada e respirando com a ajuda de aparelhos.

O Instituto de Criminalística (IC) constatou que houve contato do pote com a substância. A polícia precisava da perícia, porque o pote podia estar no local por acaso. Também havia vestígios de ácido sulfúrico no cabelo coletado no local.

"Desenhamos um cenário diferente do proposto, em que William estaria com uma garrafa de boca estreita, atirando pouca quantidade de líquido contra Mayara. Sabemos que ele colocou o produto no pote para atirar uma grande quantidade da substância, extremamente tóxica, e banhar o corpo de Mayara", afirma Bruna Falcão.

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