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12 de setembro de 2019

Justiça manda penhorar 30% do salário do deputado Luis Miranda para pagar dívida trabalhista



Débito com ex-funcionária da clínica de estética Fitcorpus existe desde 2012, segundo a Justiça. Assessoria diz que deputado do DEM-DF não foi notificado.


A Justiça do Trabalho do Distrito Federal determinou que 30% do salário bruto do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) seja penhorado até que o valor seja suficiente para quitar uma dívida de R$ 35.553,95 com uma ex-funcionária.

A decisão da juíza Naiana Carapeba Nery de Oliveira, da 4ª Vara do Trabalho de Brasília, permite que o oficial de Justiça requisite força policial "caso seja criado qualquer obstáculo ao cumprimento" do mandado de penhora (veja documento abaixo).

A dívida existe desde 2012, segundo a Justiça, e foi gerada pela clínica de estética Fitcorpus, que Miranda criou em 2008. Ele era sócio e vendia franquias da empresa.

A assessoria do deputado afirmou que ele não foi notificado e que desconhece a decisão.

No domingo (8), o Fantástico mostrou que Luis Miranda é acusado de aplicar golpes milionários no Brasil e nos Estados Unidos. A reportagem conversou com 25 pessoas que dizem ter sido vítimas dele. Onze gravaram entrevista. Destas, nove preferiram não se identificar porque disseram ter medo do parlamentar.

Ao menos dois casos envolviam a Fitcorpus. Os entrevistados citaram prejuízo de cerca de R$ 200 mil na operação.
Ele ficava com todo o lucro, praticamente. A gente dependia dele para o aluguel de máquinas e era onde realmente se ganhava dinheiro, que era com os equipamentos de laser, 
afirmou uma das vítimas.

Para conseguir escapar da Justiça, Miranda tinha uma estratégia: nunca ser intimado. A TV Globo obteve um áudio gravado de 2013, no qual ele explicou o plano durante uma reunião com funcionários. O conteúdo foi anexado a um dos processos contra o parlamentar.

"Seria ludibriar, fraudar o sistema jurídico, pra gente ganhar fôlego pra poder criar metodologias pra ganhar dinheiro."

O ponto principal da estratégia do deputado era mandar os funcionários da Fitcorpus dizerem que a empresa não funcionava no local em que realmente funcionava, quando o oficial de Justiça chegasse.

No áudio, o próprio Luis Miranda disse que a medida era "imoral", mas admitiu que, assim, "a Justiça não pode fazer nada": "Ela trava se ela não acha a empresa" 

O que Luiz Miranda diz

Após a divulgação do áudio, em vídeo enviado à TV Globo, o deputado perguntou "o que está de errado nisso": "Eu estava orientando umas pessoas de que, se fossem à minha empresa, eu atenderia, iria obviamente dar a devida atenção e efetuar o pagamento, conforme o próprio áudio fala, daqueles que provavelmente a gente deveria".

"Agora, nos casos em que era sacanagem, que o processo não era nosso, era de outro franqueado, esses eu não iria pagar. Claro que não. O que está de errado nisso?"

Desde sábado (7), quando foi entrevistado pela equipe do Fantástico, Luis Miranda nega todas as acusações. O DEM exigiu esclarecimentos.



 Foto: TV Globo/Reprodução

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