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10 de outubro de 2019

Caixas achadas na costa do CE são de navio alemão da 2ª Guerra, conclui pesquisa



Segundo o estudo, o ponto de partida para a descoberta foi uma inscrição que havia em uma das caixas encontrada em julho na praia de Itarema, no Ceará.



Os pacotes de origem desconhecida de mais de 100 quilos que começaram a surgir no litoral do Nordeste em outubro do ano passado são oriundos de um navio alemão que naufragou durante a Segunda Guerra Mundial perto da costa do Recife. 

O resultado foi revelado nesta quinta-feira (10) por pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC). A embarcação alemã foi afundada em 1944 por tropas americanas.

Segundo o estudo, o ponto de partida para a descoberta foi uma inscrição que havia em uma das caixas encontrada em julho na praia de Itarema, a 200 quilômetros de Fortaleza/CE. O pacote indicava a Indochina Francesa como origem. Esse território - situado onde atualmente estão Vietnã, Laos e Camboja - era uma colônia da França, mas foi dominado durante a Segunda Guerra por japoneses.
Os dados encontrados indicariam que esse produto era antigo, provavelmente de um naufrágio. Através dessa marcação [na caixa], fizemos uma pesquisa histórica e conseguimos identificar um cargueiro, chamado Rio Grande, que tinha uma carga de borracha com as inscrições referentes à Indochina Francesa, 
explicou o professor Carlos Teixeira, um dos responsáveis pela pesquisa, em entrevista ao portal da UFC.

De acordo com as informações encontradas em um banco de dados americano sobre naufrágios no Atlântico Sul durante a Segunda Guerra, os sobreviventes do naufrágio conseguiram deixar o navio em pequenos botes. Em seguida, eles desembarcaram em Fortaleza e foram presos na 10ª Região Militar. O navio foi encontrado em 1996, a cerca de 5.700 metros de profundidade.

Os pesquisadores então fizeram uma simulação numérica para dar respaldo ao levantamento histórico. As reproduções liberaram partículas a partir do lugar de onde o navio afundou e o resultado mostrou que as partículas chegaram exatamente ao litoral nordestino, onde as caixas começaram a ser achadas em outubro de 2018.

As simulações consideram fatores como direção das correntes marítimas, temperatura, salinidade e ventos. Com isso, reforça o estudo, é possível saber de onde os materiais vêm e para onde eles estão sendo transportados pelas correntes. Um artigo científico sobre a descoberta está sendo finalizado e será submetido a um periódico internacional em breve.

Casos parecidos a esse já ocorreram em outras partes do mundo. Um dos mais recentes foi em 2012, quando caixas semelhantes surgiram em praias de alguns países europeus. A princípio, pensou-se que eram oriundas do Titanic. No entanto, pesquisas revelaram que a origem era um navio japonês afundado em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial.



Foto: Marcus Davis/Divulgação

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