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21 de dezembro de 2019

Em Fortaleza lixo pode gerar combustível para carros compartilhados na capital



Iniciativa da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) propõe utilizar material de aterros sanitários para produção de combustível para veículos. Projeto ainda precisa de parceria para ser implementado.



Adequar a forma de se locomover pela cidade às alternativas sustentáveis contribui para melhorar a qualidade de vida da população, o que ainda exige mais iniciativas na capital cearense. Uma delas, ainda em fase de estudos, prevê a utilização de combustível à base de resíduos sólidos nos carros compartilhados de Fortaleza, o Vamo (Veículos Alternativos para Mobilidade).

Por volta de 60% da poluição da Capital vêm da descarga de automóveis e pode ter relação com as mortes em decorrência de doenças respiratórias. A informação é do secretário-executivo de Conservação e Serviços Públicos, Luiz Alberto Sabóia, que vê os aterros sanitários como aliados na geração de um combustível não poluente. "Estamos pensando em um Vamo movido a biometano, gás produzido pelos resíduos sólidos para complementar esse projeto", esclarece Sabóia.

Ainda em fase conceitual, como classifica o gestor, o projeto deve utilizar o material de aterros sanitários para a produção de combustível para os carros compartilhados.

Os ecopontos, estações de coletas de lixo distribuídas pela cidade, podem funcionar como espaços de abastecimento para esse tipo de modal. "A gente iniciou uma série de conversações com a Companhia de Gás do Ceará e, juntamente com a Secretaria de Conservação, nós desenhamos uma ideia inicial de piloto. A gente está agora numa fase de conversação técnica, mas já há tecnologia para isso", detalha o secretário sobre a ideia.

Sabóia analisa que os impactos na saúde da população e para a boa manutenção do meio ambiente de Fortaleza dão relevância ao projeto. "A gente não vê, mas a poluição do ar acaba impactando em muitas doenças respiratórias, principalmente, em idosos e crianças. Quando você tem um modal como esse, que é zero poluente, isso aponta para o futuro. A importância do Vamo está em um modo de transporte sustentável e que incorpora esse conceito de compartilhamento", ressalta.

No entanto, para viabilizar o projeto, ainda é necessário estabelecer parcerias com a iniciativa privada já que, como informa o secretário, não será utilizado dinheiro público para o desenvolvimento da tecnologia, que deve ser iniciada em 2021.

Carros compartilhados

O sistema de carros compartilhados de Fortaleza, que utiliza somente modelos elétricos, recebeu uma atualização, na tarde de ontem (20), com a substituição de veículos por outros com maior espaço. Agora são 15 carros, com cinco lugares para os usuários, e bagageiro em 13 estações e quatro vagas espalhadas pela cidade.

Em funcionamento desde 2016, o Vamo foi utilizado em 6.739 deslocamentos e contribuiu para a economia de nove toneladas de dióxido de carbono (CO2). Além disso, cerca de 4.420 usuários estão cadastrados na plataforma online.

Luiz Sabóia comenta que a iniciativa deve ter maior abrangência na cidade nos próximos anos. "Nas nossas estatísticas, as estações mais demandadas eram do Jóquei Clube e da Igreja de Nazaré. A gente tem uma quantidade de veículos pequena, então acabamos concentrando, mas o projeto pode ser levado a várias áreas da cidade"



Foto :::  Natinho Rodrigues / Reprodução

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