🐭 Ex-presidente da Câmara Municipal de Capela / SE é preso em operação contra desvio de recursos públicos🐭 - Observador Independente

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9 de junho de 2020

🐭 Ex-presidente da Câmara Municipal de Capela / SE é preso em operação contra desvio de recursos públicos🐭

Babá do suspeito tinha cargo comissionado na Casa e disse não ter conhecimento.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Capela/SE e vereador afastado José Adalto Santos (PTN) foi preso no início da manhã desta terça-feira (9) durante a Operação Mamulengo, do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap). Ele assumiu a Casa no biênio 2017-2018 e era o principal alvo da ação que teve como objetivo desarticular uma associação criminosa responsável pelo desvio de recursos públicos.

Também foram cumpridos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em Aracaju e Propriá. Segundo a polícia, dois empresários que participavam do esquema foram alvos da investigação. Todos foram encaminhados para o Deotap, onde foram ouvidos, e seguida encaminhados ao Instituto Médico Legal, de onde foram encaminhados para um presídio.
O prédio da Câmara Municipal de Capela passou por busca e apreensão. Segundo a delegada Thaís Lemos, coordenadora da operação, junto com as empresas, a Casa fraudava possíveis cursos e simulava os eventos para pagar gratificações e diárias para servidores comissionados. Estes recebiam certificados por eventos que não aconteciam. O ex-presidente ainda exigia que estes servidores fizessem empréstimos consignados, cujos valores eram retidos pelo parlamentar, que pagava as prestações com recursos públicos oriundos da Câmara.

“Hoje nós reunimos nove equipes que se dirigiram ao interior do estado para coletar documentos e provas para corroborar com tudo o que já foi colhido até então. Na casa do ex-presidente da Câmara, nós colhemos alguns documentos, inscrições de cursos documentos das empresas contratadas. Grande parte da documentação foi recolhida na Câmara dos Vereadores, onde encontramos as pastas dos servidores comissionados e fazendo uma correlação desses servidores com os depoimentos da Deotap, vislumbramos que muitos deles foram destacados para participarem de cursos que sequer existiam. Nós recolhemos essas pastas dos servidores e várias pastas de despesa do biênio 2018/2019, onde a gente pode verificar a gratificação de 100 a 200% a determinados servidores, que foram manipulados a fazer um contrato junto aos bancos e repassar esses valores ao presidente da Câmara na época”, contou a delegada.

Ainda de acordo com ela, o ex-presidente da Câmara optou por ficar calado em seu depoimento e os empresários mantiveram versões já repassadas para a policia anteriormente.

O delegado Rodrigo Espinheira, que preside o inquérito, explicou que pessoas com ligação com o ex-presidente, entre elas a babá da família do parlamentar, foram ouvidas na investigação. Nomeada em cargo comissionado. Ela disse ainda que não cumpria expediente na Câmara Municipal de Capela.

“Essa babá foi ouvida porque quando ela foi nomeada em cargo de comissão. As pessoas começaram a desconfiar porque ela não frequentava a Câmara. Além disso, quando foi ouvida aqui no Deotap ela mesma se mostrou surpresa ao saber que existia uma ordem de pagamento por um serviço de ornamentação na Câmara no nome dela. Ela disse que não fez nenhum serviço de ornamentação e nem trabalha nessa área, o que denota uma prova irrefutável de fraude de simulação com o objetivo de conseguir dinheiro da Câmara”, explicou o delegado .

Sobre as provas colhidas durante a investigação, o delegado resumiu o que levou a prisão dos suspeitos de envolvimento no caso. "Além das próprias pessoas que foram ouvida no Deotap, que ficaram surpresas com seus nomes em certificados, em viagens que elas não foram e notas fiscais com despesas com alimentação e hospedagem que elas não fizeram. Como também documentos, fotos contradições e por conta disso ficou mais fácil de angariar as provas", disse.

Ainda segundo a polícia, foi feita uma reforma do prédio da Câmara sem qualquer procedimento formal e processo de licitação, cujos trabalhos foram executados por uma construtora. Os investigadores descobriram que documentos foram fraudados para cobrir as irregularidades.

Foram solicitadas várias medidas cautelares diversas da prisão ao Poder Judiciário, a exemplo do afastamento imediato de servidores públicos que contribuíram, seja pela ação ou omissão, com a atividade da organização criminosa.

O delegado confirmou a relação das investigações com o afastamento do então presidente da Câmara o delegado. “O fato tem relação. Das investigações surgiu tanto o inquérito policial, como também uma ação de improbidade administrativa a cargo do Ministério Público de Capela, nos autos da improbidade, o promotor pediu a suspensão da função pública e juíza deferiu", contou.

O atual presidente da Câmara de Capela, Ronaldo Marques, informou que a investigação não tem qualquer relação com a atual gestão e que colaborou com a polícia.

O portal tentou entrar em contato com a defesa do vereador, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa dos empresários não foi localizada.

Mamulengo

A polícia informou que a operação leva esse nome devido à prática do ex-presidente de manipular servidores públicos e obter vantagens por isso. Mamulengo é um tipo de fantoche típico do Nordeste. A origem do nome é controversa, mas acredita-se que ela se originou de mão molenga - mão mole, ideal para dar movimentos vivos ao fantoche. Um ou mais manipuladores dão voz e movimento aos bonecos.



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