Operação Ragnarok: empresários são soltos após prestarem depoimento à polícia, em Salvador - Observador Independente

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6 de junho de 2020

Operação Ragnarok: empresários são soltos após prestarem depoimento à polícia, em Salvador


Prazo para prisão temporária de Cristiana Prestes, dona da Hempcare, do sócio dela, Luiz Henrique Ramos, e de Paulo de Tarso vencia nesta sexta-feira.



As três pessoas que foram presas na manhã da última segunda-feira (1º) durante a Operação Ragnarok, realizada pela Polícia Civil da Bahia, foram soltas na noite desta sexta-feira (5). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP). A ação policial se dá contra a empresa Hempcare, que vendeu e não entregou respiradores ao Consórcio do Nordeste.

A dona da Hempcare, Cristiana Prestes, e o sócio dela, Luiz Henrique Ramos, que foram presos em Brasília, desembarcaram na capital baiana por volta das 15h30 de segunda-feira, no pátio do Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (GRAER). Eles foram levados para a sede da Coordenação de Operações Especiais (COE), onde prestaram depoimentos.

Já o empresário Paulo de Tarso foi preso no Rio de Janeiro e chegou em Salvador por volta das 20h de quinta-feira (4). O suspeito também foi encaminhado para a sede do COE.

A prisão dos três suspeitos era temporária e tinha prazo de cinco dias. A polícia decidiu, então, por não prorrogá-la por mais cinco dias nem convertê-la para preventiva.

"Nunca teve equipamentos"

A empresa alvo da operação Ragnarok, investigada por vender e não entregar respiradores ao Consórcio do Nordeste, nunca teve os equipamentos oferecidos na venda, conforme destacou a delegada Fernanda Asfora, coordenadora do setor de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública.

A delegada detalhou as investigações durante coletiva de imprensa nesta segunda, mesmo dia do cumprimento de três mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Araraquara (SP). A empresa Hempcare vendeu os respiradores por R$ 48,7 milhões.

Além de não entregar os equipamentos, a empresa é apontada pela não devolução da quantia paga pelo Consórcio. Outra empresa, a Biogeoenergy também é alvo de investigações.

A operação, conforme explica a delegada, se deu a partir de um inquérito policial instaurado, que tinha como objetivo apurar as fraudes no âmbito da contratação do Consórcio Nordeste com a empresa Hempcare, na compra de 300 ventiladores clínicos de UTI, que seriam distribuídos para todos os estados do nordeste. A Bahia receberia 60 respiradores e os demais estados ficariam com 30 cada.

A delegada também revelou que o posicionamento da empresa com relação à contratação chamou atenção, após representantes informarem que todos os ventiladores comprados da China estavam quebrados.

Fernanda Asfora ainda detalhou que a primeira empresa foi contratada pelo consórcio, e a segunda forneceria os equipamentos diante do descumprimento do contrato.

Segundo a delegada, a partir de então que foi descoberta a relação dessa primeira empresa com a segunda. Fernanda Asfora destaca que as investigações não se encerram neste momento e que ainda restam as oitivas dos três presos, sócios suspeitos de participação na fraude.

Polícia Civil do Distrito Federal em operação de apoio a Polícia Civil da Bahia contra empresa que deixou de entregar respiradores a estados do nordeste — Foto: Divulgação/Polícia Civil do DF


Com a dupla presa, Cristina Prestes e Luis Henrique, a polícia encontrou um respirador, conforme disse a delegada, mas ela acredita que o equipamento era usado para apresentação no momento de oferta dos respiradores.

A delegada disse ainda que, durante as investigações e a operação nesta segunda-feira, eles receberam informações de que a empresa tentou negociação da venda de respiradores em hospitais de campanha e de Base do Exército em Brasília.

O procurador-geral do Estado, Paulo Moreno, que participou da coletiva, informou que a Bahia já está adotando medidas para que o dinheiro da compra desses respiradores seja devolvido.

"Se nós recuperarmos esses valores, teremos a chance de fazer uso desse dinheiro para outra compra. Vamos tomar todas as medidas para reaver essa quantia", destacou.

Sobre a ação, o advogado da empresa informou que, no momento, está levantando informações sobre a medida cautelar, que segue sob sigilo, para depois se posicionar sobre o caso.

Antes da coletiva, durante o Jornal da Manhã, o secretário Maurício Barbosa, já tinha falado sobre o caso e disse que a Polícia Civil já tinha conseguido identificar que o contrato que essa empresa alegava ter com a empresa chinesa, na verdade, era um contrato falsificado.

"Diante disso, foram pedidos bloqueios de conta, busca e apreensão, prisões para que houvesse a busca pela recuperação do recurso", detalhou Barbosa.


Foto de capa ::: Reprodução 

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