Tubarão-lixa é visto no espigão do Náutico em Fortaleza; biólogo afirma que espécie não põe banhistas em risco - Observador Independente

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23 de junho de 2020

Tubarão-lixa é visto no espigão do Náutico em Fortaleza; biólogo afirma que espécie não põe banhistas em risco



Essa espécie de tubarão se alimenta de crustáceos, segundo o professor.


Frequentadores da orla de Fortaleza registraram em vídeo o aparecimento de um tubarão próximo às pedras do espigão da praia do Náutico, nesta terça-feira (23). O professor adjunto da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Departamento de Biologia e do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), Vicente Vieira Faria, confirma a aparição e explica que se trata de um tubarão-lixa, considerado “vulnerável à extinção”.

O biólogo afirma que a presença do animal não oferece riscos para os banhistas. Essa espécie de tubarão se alimenta de crustáceos, segundo o professor.

“Esta espécie de tubarão é um habitante natural da nossa costa. O nome cientifico é Ginglymostoma cirratum. Uma espécie considerada vulnerável à extinção pela legislação brasileira. Já desapareceu em muitas partes da nossa costa, mas ainda ocorre aqui no Ceará, sendo regularmente pescada na região”, complementa.
Tubarão de profundezas

O tubarão-lixa costuma ficar nas profundezas do mar, na areia e em recifes, segundo Faria. Mas também gosta de região de pedras, como a que estava quando foi avistado no espigão do Náutico. 

“No fundo, ele fica repousando ou se alimentando. Naquele caso em especifico, com a profundidade tão rasa, ele pode então ter subido mais. Mas não é algo especial ele nadar mais fora do fundo como visto. De um modo geral, é normal ela estar próximo da costa”, esclarece. 

A espécie nasce com cerca de 30 cm e atinge maturidade sexual com mais de 2 metros. O tamanho máximo é de cerca de 3 metros de comprimento total, de acordo com o biólogo. 

“A distribuição dessa espécie no mundo é dos dois lados do Atlântico. É comum em ambientes recifais, mas tem tido sua presença reduzida em várias partes da costa. Os tubarões e raias, de um modo geral, não aguentam muita pesca porque produzem poucos filhotes e levam muito tempo. Muitas vezes, antes do tubarão conseguir se reproduzir ele já acaba se agarrando numa rede de pesca, num anzol.” 

A diminuição da espécie Ginglymostoma cirratum no Ceará faz parte de estudos conduzidos pelo Labomar.



Foto: Reprodução

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