Jovem é morto a tiros em ação da PM em Salvador; família denuncia execução e diz que ele estudava para ser policial - Observador Independente

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29 de julho de 2020

Jovem é morto a tiros em ação da PM em Salvador; família denuncia execução e diz que ele estudava para ser policial




PM diz que houve troca de tiros com suspeitos e que arma e drogas foram encontradas com rapaz. Vídeo mostra jovem sendo colocado em viatura.



Um jovem de 25 anos foi morto a tiros na noite do último domingo (26), no bairro de Campinas de Pirajá, em Salvador. A família diz que ele foi executado durante uma ação policial. Já a Polícia Militar diz que o rapaz foi atingido após uma troca de tiros entre a polícia e homens armados no bairro e que, com ele foram apreendidos arma e drogas.

A família contesta a versão da polícia e disse que Vitor Santos Ferreira Jesus, de 25 anos, não tinha qualquer envolvimento com crimes e não tem registros na polícia. Um parente que não quis se identificar falou ainda que o rapaz trabalhava em um mercadinho e estudava para concurso, pois tinha o sonho de ser policial.

"O sonho dele era ser policial. Fazia curso preparatório e queria se tornar um policial fosse militar, civil ou federal. Colocaram drogas, armas com ele. Ele não tinha arma, não tem vestígio de pólvora.", disse.

No status do whatsapp do jovem, constava a frase "É só questão de tempo", seguida de imagens de livros, um chapéu de formatura e um policial.

De acordo com a família, Vitor, que era filho único e casado, trabalhava em um mercadinho em Marechal Rondon, bairro vizinho a Campinas de Pirajá, onde morava. Foi após o fim do expediente, no domingo, que Vitor parou em uma festa para se divertir com vizinhos do bairro.

Segundo testemunhas, a polícia chegou e houve disparos de tiros por parte dos PMs. As pessoas correram, mas Vitor teria sido capturado pela polícia. Segundo um familiar do jovem, ele foi baleado pelos policiais.

"Eu não presenciei, mas todos que estavam relataram que a guarnição entrou na localidade disparando contra a população. As pessoas correram. Vitor, como não devia nada, saiu andando. Ele foi alvejado na perna e estava com vida. Os policiais pegaram ele e acionaram outra viatura, quando a outra viatura chegou, Vitor estava sentado no chão e deve ter pensado que seria socorrido. Mas ele recebeu outros tiros no abdômen e peito", disse um familiar que preferiu não se identificar.

Um vídeo gravado por um morador mostra parte da ação policial. Em uma foto, a pessoa conseguiu registrar Vitor com vida, já no vídeo, o rapaz já está baleado e é colocado na viatura pelos policiais.

"Um amigo dele tentou seguir a viatura e encontrou uma na estrada do Derba, com o pneu furado. A mãe dele teria descido perguntando sobre Vitor, e eles se negaram a falar o que tinha acontecido. Apenas disseram a ela: 'Senhora, realmente aconteceu uma troca de tiros, e um elemento foi alvejado'", disse.

Por meio de nota, a PM informou que agentes da 9ª CIPM foram acionados para atender a denúncia de som alto provocado por uma festa "paredão" na localidade conhecida como Invasão da Osório, em Campinas de Pirajá, por volta das 23h30 de domingo.

Ainda segundo a PM, no momento em que a guarnição chegava ao local, todas as pessoas presentes correram, inclusive um grupo de homens armados que passou a atirar contra os militares, que revidaram.

Ao finalizar os disparos, os policiais disseram que fizeram uma varredura no local e encontraram um indivíduo ferido. A guarnição levou a vítima ao Hospital do Subúrbio, no entanto o rapaz não resistiu aos ferimentos. A polícia disse que, com rapaz baleado, foram encontrados revólver, carregador de munições, pinos de cocaína, papelotes de maconha e pinos de maconha.

Ainda segundo o familiar, a pessoa que fez o vídeo saiu do bairro com medo de represálias e informou que está sendo ameaçada. O enterro de Vitor ocorreu na terça-feira (28), no Cemitério Quinta dos Lázaros. A mãe de Vitor está bastante abalada com a situação.

A família disse ainda que ainda não fez o registro do caso na Corregedoria da Polícia Militar, porque ainda está avaliando a situação. "Não procuramos, porque todos estão com medo", ressaltou.



Foto: Redes Sociais/G1

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