Professora da Chapada Diamantina é uma das vencedoras do maior prêmio da educação brasileira com projeto inspirado nas memórias da avó - Observador Independente

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26 de julho de 2020

Professora da Chapada Diamantina é uma das vencedoras do maior prêmio da educação brasileira com projeto inspirado nas memórias da avó



Maria Isabel Gonçalves ensina Filosofia e desenvolve projeto onde estudantes resgatam memórias de familiares em Boninal, na Chapada Diamantina.



Com o projeto "As filosofias de minha avó: poetizando memórias para afirmar direitos", a professora baiana Maria Izabel busca resgatar memórias e ao mesmo tempo elevar a autoestima de estudantes da zona rural, na região da Chapada Diamantina.

Professora de Filosofia desde 2019 em uma escola estadual no município de Boninal, ela é uma das vencedoras do Prêmio Educador Nota 10, que premia projetos voltados para a educação básica brasileira.

O projeto atende estudantes do 1º ao 3º Ano do Ensino Médio no Colégio Estadual Rui Barbosa. O objetivo é estimular o resgate de memórias junto aos familiares mais velhos, de estudantes na instituição. 

Comunidades rurais

 Estudantes participam de atividade voltada para resgate de memórias da comunidade onde vivem 
Foto: Arquivo Pessoal


A proposta da professora consiste em apresentar para os estudantes a Filosofia Ubuntu, que prega: "o que vale é o nós, o coletivo, eu sou o que sou porque você também é". A partir disso, eles são induzidos a conversar com parentes e colher relatos de familiares mais velhos, sobre como eram seus modos de vida e a relação com a terra.

Esta questão da ancestralidade e a ligação com a terra, segundo a docente, é muito presente na comunidade de Boninal e arredores. Além disso, a população local também é muito ligada com a cultura afro baiana.

O Colégio Estadual Rui Barbosa, onde trabalha, atende estudantes de seis comunidades quilombolas: Cutia, Mulungu, Conceição, Lagoa do Baixão, Olhos D'água do Basílio e Machado.

A própria Maria Isabel conta que, como negra e nascida no povoado de Duas Passagens, a 60 km de Boninal, a relação com o campo e as culturas negras marcam toda sua vida.

“A minha trajetória é como professora do meio rural. A urbanização aqui é muito recente, então essa ligação com a roça, com a terra, ainda é muito presente. Além disso, meu trabalho é pautado nas filosofias da minha bisavó, Iaiá Lia, que era líder negra da comunidade da Amburana”, conta.

Ela afirma ainda, que por ter sido criada no campo, percebe uma diferença entre estudantes da zona rural em comparação com os da cidade. Para ela, “às vezes há uma pequena insegurança, como se os estudantes do campo tivessem pouco orgulho das suas origens”.

“O projeto também surge para combater isso, para mostrar que as comunidades rurais também têm muito a oferecer. Eu tento quebrar esta insegurança reforçando neles o que prega a filosofia Ubuntu, muito presente na zona rural, que é focada no comunitário. Isso marcou minha forma de ver o mundo e eu tento mostrar para eles como isso é rico”, ressalta.

Um dos próximos passos é o lançamento de livro com fotos e relatos. Por causa da pandemia de coronavírus, as aulas estão suspensas em todo estado. Mas esta atividade, por ser extracurricular, segue sem caráter obrigatório.

“Agora, além de fotos, relatos dos familiares mais velhos, os estudantes também estão recolhendo cartas e outros objetos antigos que ajudam a reconstruir histórias do passado”, conta.


Fotos ::: Arquivo pessoal / G1

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