“É um crime ambiental”, diz vereador sobre construção de estação de esgoto na Lagoa do Abaeté em Salvador - Observador Independente

Acontecendo

Bem-vindo! Hoje é

7 de agosto de 2020

“É um crime ambiental”, diz vereador sobre construção de estação de esgoto na Lagoa do Abaeté em Salvador

Lagoa do Abaete Salvador

Audiência pública debateu alternativas para a obra.



A instalação de uma estação elevatória de esgoto nas margens da Lagoa do Abaeté continua causando polêmica. Uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (5) promovida pela Comissão de Desenvolvimento Sustentável, da Câmara Municipal de Salvador, debateu o assunto.


A obra tocada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano (Conder) teve início em maio, mas no início de junho foi embargada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), por não ter licença. Nesta semana a intervenção foi retomada. A Sedur informou que “não é necessário licenciamento ambiental para esse tipo de obra”.

O vereador e presidente da Comissão, Marcos Mendes (Psol), disse que não houve diálogo do poder público com a sociedade e que a obra poderia ter sido feito de outra forma, com menos risco ambiental.

“Existem alternativas que são mais baratas, mais corretos do ponto de vista sócio-ambiental e que se inserem em áreas de conservação como aquela do Abaeté. Nós queríamos inclusive discutir isso, mas em momento nenhum eles escutaram. Tanto o governo estadual quanto o municipal estão decidindo de cima pra baixo sem dialogar com a sociedade. Nós podemos ter alternativas técnicas”, afirmou Mendes.

“Fizemos essa audiência pública, solicitamos que a promotora do Meio Ambiente mande encerrar essa obra imediatamente porque não tem licença e eles estão tocando a obra. É um crime ambiental o que está acontecendo. Estão removendo as dunas, que é área de proteção permanente e área inclusive de Mata Atlântica, que está preservada, com partes também de restinga. Essa estação elevatória de esgoto geralmente dá problema. Então se extravasar aquilo ali como geralmente acontece, vai poluir a Lagoa do Abaeté”, completou.

O engenheiro da Embasa, Wladmir Conceição, afirmou que apesar dos riscos e alto custo para a manutenção de uma estação elevatória, essa foi a única alternativa. A outra opção seria o lançamento do esgoto em redes já existentes, mas segundo Conceição, não é possível fazer esse tipo de intervenção no local. Segundo ele, a Embasa fez a análise técnica e aprovou proposta da Conder.

“No caso do Abaeté o que acontece é que o ponto de lançamento está acima da cota onde o esgoto é capitado. Por isso não tem condição de fazer uma rede e precisa da estação elevatória. A estação realmente é um sistema mais caro de operar que uma rede, mas a diferença de cota não permite que se faça rede”, explicou.

Ainda assim, o engenheiro garantiu que se a Embasa receber algum projeto que seja “exequível”, a obra pode ser repensada. “Se o projeto for exequível e estiver com as contas certas a Embasa vai aceitar e aprovar. Na minha ótica, não tem como fazer o esgotamento sem a elevatória”, concluiu.

Além do psolista e do membro da estatal, participaram da reunião o professor universitário e pesquisador da Ufba, Miguel Accioly; a representante do Fórum Permanente de Itapuã (FPI), Lavínia Bomsucesso; o pesquisador da Universidade de Feira de Santana, Silvio Orrico; o professor e pesquisador da Escola Politécnica da Ufba, Lafayette Bandeira e a promotora do Meio Ambiente do Ministério Público, Ana Luzia Santana.



Foto ::: Reprodução/Soteropoli / Varela Notícias

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui sua opínião

-->