POLICIA MATA E FICA O DITO PELO NÃO DITO 🪖 'Criança não pode ficar na rua porque chegam atirando', diz cunhada de mulher morta por PMs em Salvador🪖 - Observador Independente

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19 de setembro de 2020

POLICIA MATA E FICA O DITO PELO NÃO DITO 🪖 'Criança não pode ficar na rua porque chegam atirando', diz cunhada de mulher morta por PMs em Salvador🪖



Franciana Cerqueira Santos Dantas estava perto da porta de casa, quando foi atingida por disparo. Segundo testemunhas, ela foi baleada por PM. Polícia diz que houve troca de tiros no local.


Familiares de Franciana Cerqueira Santos Dantas, de 37 anos, que morreu após ser atingida por uma bala perdida enquanto voltava do trabalho, em Salvador, falaram sobre a situação neste sábado (19), após um protesto na comunidade. O caso aconteceu em Nova Sussuarana, na noite de sexta-feira (18).

Testemunhas afirmam que o tiro foi disparado por um policial, enquanto uma equipe da Polícia Militar fazia rondas no bairro. Segundo os moradores, eles chegaram no local atirando.

Eles só chegam aqui assim, agredindo todo mundo. Aqui tem mãe de família, trabalhador. Que bicho eles são? São para defender a gente, mas chegam aqui e tiram a vida de uma mãe de família. Agora meus sobrinhos estão sofrendo porque eles fizeram isso, 

disse Liliane Dantas, cunhada da vítima.

Criança não pode mais ficar na rua, porque eles chegam atirando. A gente fica com medo, tem que ficar dentro de casa preso,

Liliane Dantas.


Muitas marcas de tiros ficaram no local onde mulher morreu após ser atingida por bala perdida ao voltar do trabalho em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia


A situação aconteceu por volta das 20h. Franciana estava a poucos metros de casa e parou para conversar com uma amiga, que está grávida de oito meses. Sem querer se identificar por medo de represálias, a mulher contou sobre o pânico que viveu.
Quando eu percebi, pensei que tinha agarrado [atingido] na minha barriga. Cheguei gritando na casa da vizinha. Falei: ‘Pelo amor de Deus, olha aqui!’. Porque foi muito tiro. Foi Deus quem me livrou, porque eu estaria morta também,
disse ela.

Franciana chegou a ser socorrida por moradores e levada para o Hospital Geral Roberto Santos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade. A Polícia Militar confirmou que fazia uma ação no local no momento em que ela foi baleada, mas não disse que ela foi atingida pelo disparo de um policial.

Por meio de nota, a PM disse que foi recebida a tiros por homens armados e que os policiais revidaram, mas os suspeitos fugiram. Ainda segundo a polícia, a situação teria encerrado sem registro de feridos.

O ex-companheiro de Franciana rebateu a informação da Polícia Militar. De acordo com Aníbal Dantas, não havia troca de tiros no local. Ele foi mais um dos moradores a dizer que os policiais chegaram no local atirando.

Moradores protestaram após morte de mulher, atingida por bala perdida em ação policial em Salvador — Foto: Reprodução/TV Bahia

 

“Dia 18 do próximo mês meu filho faz aniversário. Ele pergunta: ‘Meu pai, cadê minha mãe? Ela não vai estar no meu aniversário, meu pai’. Infelizmente, por causa de policiais que não têm capacidade. Desse atirando na rua, sem procurar ver quem está. As pessoas inocentes perdem sua vida. Minha ex-mulher, trabalhadeira, todo mundo conhece".

Só falta eles dizerem que foi troca de tiros. É a única coisa que eles vão alegar. Como? Se não teve troca de tiros,

disse Aníbal Dantas.

Ainda na nota, a PM diz que por volta das 22h30 foi informada de que uma mulher teria sido baleada na mesma região e no mesmo horário onde a troca de tiros aconteceu. Os militares chegaram a ir ao hospital, mas quando chegaram na unidade ela já estava morta.

Durante o protesto na manhã deste sábado, Avenida Ulisses Guimarães, uma pastora do bairro também comentou a ação dos policiais.
Se eles estudaram para ser polícia, é para dar exemplo. Não é para chegar atirando, matando inocente. É para dar exemplo. Que tipo de polícia são eles? Quer dizer, a família humilde é cachorro?,
Elisa Silva.

A PM orientou que, denúncias ou suspeitas contra ações de policiais devem ser formalizadas na sede da Corregedoria Geral da corporação, que fica no bairro da Pituba. O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Homicídios.

Franciana trabalhava em um restaurante no bairro de Ondina e tinha uma banca de hortifruti em São Rafael. Ela deixa dois filhos – uma menina de 14 anos e um garoto de 9. O corpo dela será enterrado ainda na tarde deste sábado, no Cemitério da Ordem 3ª de São Francisco, na Baixa de Quintas.



Fotos :::: TV Bahia / Reprodução G1

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