Em Salvador moradores do bairro Santa Mônica voltam a protestar após adolescente morrer em ação da PM: 'Vidas negras na favela não importam para ninguém' - Observador Independente

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7 de outubro de 2020

Em Salvador moradores do bairro Santa Mônica voltam a protestar após adolescente morrer em ação da PM: 'Vidas negras na favela não importam para ninguém'





Caso aconteceu no bairro da Santa Mônica, em Salvador, na noite de terça-feira (6). População diz que PM chegou atirando em bairro e capitão diz que militares reagiram a confronto.



Moradores do bairro da Santa Mônica, em Salvador, voltaram a protestar nessa quarta-feira (7). Eles cobram justiça pela morte do adolescente de 17 anos que foi baleado durante uma ação da Polícia Militar. Outro adolescente de 16 anos também foi atingido no disparo no braço e passou por cirurgia.

Toda a situação aconteceu na tarde de terça-feira (6). Inicialmente, a PM informou que apenas um jovem foi baleado em confronto com policiais, mas os moradores negam a situação e contam que nem havia troca de tiros no local.

A vítima é Wesley de Jesus Oliveira, de 17 anos, que brincava de pular elástico com um grupo de amigos, quando equipes do Esquadrão Motociclistas Águia, da PM chegaram ao local. Testemunhas contam que quando os policiais entraram no bairro atirando, alguns jovens conseguiram escapar dos tiros, mas o jovem não.

"Quando a gente ouviu os tiros, disparos, a gente tentou correr, só que ele correu para o lado oposto. Eu corri e fiquei na parede e os homens, policiais do Águia, dando tiros. Ele se pareou na parede, só que ele tomou um tiro de costas, que varou no peito dele", disse uma das moradoras que estava no local e prestou socorro à vítima. Ela não quis se identificar por medo de represálias.

O capitão Fogaça, subcomandante do esquadrão Águia da PM, reiterou que houve confronto na região, mesmo com a negativa dos moradores. Segundo ele, um inquérito foi instalado para apurar a situação.

"Quando os policiais chegaram na área conhecida como Tampão, foram recebidos a tiros por volta de cinco suspeitos. Eles tentaram se abrigar, as motocicletas foram ao solo e após a injusta agressão, os policiais identificaram o adolescente alvejado. Moradores prestaram socorro com apoio dos policiais, que foram acompanhando até o Hospital Roberto Santos e lá infelizmente foi constatado o óbito do adolescente. Lamentamos muito esse fato. Vamos instaurar inquérito policial militar para apurar quem fez os disparos no adolescente e o Ministério Público vai acompanhar também", disse ele.

Outra testemunha, que também não quis revelar o nome, chegou a falar que os policiais se negaram a prestar socorro para Wesley.

"Eles disseram que não poderiam dar socorro porque iriam atrás dos bandidos. A população que deu socorro. Eles estavam fortemente armados, os adolescentes estavam brincando e elástico. Não tinha ninguém no momento, não tinha bandido no momento. É constante isso. Não só aqui no local, mas na [rua] principal da Santa Mônica. Eles já chegam atirando", contou.

Ainda não há detalhes sobre o enterro do corpo de Wesley. O adolescente era filho único e trabalhava como cabelereiro no bairro de Santa Mônica. O outro jovem, de 16 anos, está hospitalizado no Hospital Geral do Estado (HGE), e tem estado de saúde estável.



Foto: Reprodução/TV Bahia

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