Famílias de baixa renda têm inflação maior; comidas de consumo diário são maiores vilões - Observador Independente

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12 de novembro de 2020

Famílias de baixa renda têm inflação maior; comidas de consumo diário são maiores vilões




A inflação tem sido ainda pior para as famílias com renda baixa, entre um e três salários mínimo, segundo o estudo “Inflação por faixa de renda familiar em 2020”, divulgado nesta quinta-feira (12/11), em Brasília, pelo Banco Central (BC). A alimentação em casa é o segmento que mais tem pressionado a inflação neste ano e pessoas mais pobres tendem a gastar uma maior parcela do orçamento no mercados.



A faixa citada corresponde a quase metade da população: 46,2%. Aqueles com renda familiar de três a dez salários mínimos somam 44% e, por fim, os que recebem 10 a 40 salários mínimos representam 9,8% dos entrevistados. O estudo foi feito considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA - a inflação oficial do país), com base nos microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018. 

Segundo o estudo, a pandemia de Covid-19 é uma das influências no aumento de preço, mas há outros fatores. “Por um lado, distanciamento social, aumento do desemprego e retração da atividade deprimiram os preços de diversos serviços. Por outro, a depreciação cambial, os programas de transferência de renda e o aumento dos gastos com alimentação no domicílio pressionaram os preços dos alimentos”, diz a pesquisa.

De acordo com o Banco Central, conforme aumenta o nível de renda das famílias, eles tendem a gastar mais com outras coisas, enquanto a maior parte das famílias de baixa renda usa o dinheiro para alimentação e serviços, como energia elétrica, gasolina, gás e transporte público. O estudo diz ainda que a inflação de alimentos é maior no Norte e no Nordeste. “[Isso] sugere algum efeito do auxílio emergencial a pessoas em situação de vulnerabilidade, mais significativo nessas regiões, sobre a demanda desses produtos”, afirma o BC.

“A inflação de serviços é mais baixa para a faixa de renda mais alta e, principalmente, no Sul e Sudeste, em parte, pela maior participação de itens como passagem aérea, transportes por aplicativos e hospedagem, que foram impactados pela menor mobilidade”, completa.

Em todo o país, a região Norte é a que mais gasta com alimentação, enquanto no Sudeste, os serviços somam aproximadamente 50% da população que ganha entre 10 e 40 salários mínimos. No Nordeste, o Banco central destacou a grande diferença da participação no orçamento de gastos com alimentação no domicílio entre as famílias da faixa de renda mais baixa, com 22,5%, e as de renda mais alta, com 9,4%. 

VILÕES

As famílias com renda entre 10 e 40 salários mínimos percebeu o aumento da inflação em outra compras: a aquisição de um automóvel novo, em todas as regiões do país, além de plano de saúde e alimentação fora do domicílio (com exceção do Norte) foram os vilões.

Entre os itens que mais pressionaram a inflação das famílias com rendimentos entre um e três salários mínimos no ano de 2020 estão cereais, leguminosas e oleaginosas, carnes e leites e derivados.

“A atividade com recuperação mais rápida foi a de cabeleireiro, lavanderias e outros serviços pessoais, que no mês de setembro já reverteram ao faturamento pré pandemia. A atividade de alimentação, que tem o maior peso no setor, está em trajetória crescente, mas, em outubro, ainda se encontra aproximadamente 7% abaixo do observado no primeiro bimestre”, observa a pesquisa.

O BC acrescenta que as atividades culturais, de recreação e lazer possuem a retomada mais lenta (faturamento 53% abaixo do nível pré-pandemia), uma vez que grande parte desses serviços ainda não está funcionando normalmente na maioria dos estados.



Crédito da Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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