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4 de novembro de 2020

Motoristas de aplicativo lamentam morte de colega e pedem mais segurança ao poder público em Feira de Santana

Eles relataram que muitas vezes saem de casa para trabalhar, sem saber se vão voltar.



Vários motoristas de aplicativo de Feira de Santana compareceram, na manhã desta quarta-feira (4), no velório e no sepultamento do colega Helder dos Santos Oliveira, de 35 anos, lamentaram a sua morte e aproveitaram a oportunidade para chamar a atenção sobre os riscos da profissão, diante da falta de segurança. Eles pediram mais policiamento ao poder público e relataram que muitas vezes saem de casa para trabalhar, sem saber se vão voltar.

Helder foi assassinado por volta das 8h de ontem (3), no caminho 6, no Residencial Santa Bárbara, no bairro Mangabeira em Feira de Santana e, de acordo com o delegado Luís Filgueiras, ele transportava um casal de passageiros quando o veículo foi alvejado por vários tiros e ele foi atingido por dois: um no rosto e um nas costas.

Os passageiros não foram localizados e a Polícia Civil investiga o caso.

O motorista de aplicativo Joziel de Matos, contou à reportagem do Acorda Cidade que Helder era trabalhador, correto, um bom pai de família e infelizmente foi vítima da violência gratuita. Ele informou que o colega não era o alvo dos atiradores e que pagou com a vida.

“Ele acabou entrando no meio do tiroteio e sobrou para ele. Era honesto, um bom pai de família e eu acredito na justiça e que ele não vai cair na estatística. Nós infelizmente estamos à deriva. Nós, motoristas, por aplicativo em Feira de Santana, não temos nenhuma autoridade, municipal, estadual olhando para a gente. Infelizmente a gente está assim trabalhando no escuro. Pegamos passageiros, colocamos no banco traseiro e pra mim, cada passageiro é suspeito, independente de quem seja. Nós saímos para trabalhar, mas talvez não retornaremos como o nosso colega que saiu e deixou as filhas, a esposa, a mãe”, disse.
Na opinião de Joziel, é preciso que o comando da Polícia Militar na cidade possa realizar mais blitz com abordagem pessoal, principalmente nas regiões que são consideradas de maior risco.

“O comando deveria colocar uma polícia mais ostensiva na região, principalmente nos bairros periféricos, como Mangabeira, Asa Branca, Viveiros. São bairros perigosos para a gente ir e nós motoristas de aplicativo estamos até pensando em não conduzir mais nenhum passageiro para esses locais nem buscar e nem levar mais. Independente de quem seja, os bons vão pagar pelos ruins, infelizmente”, frisou.
Dilma Correia, que trabalha há um ano como motorista de aplicativo, declarou que os perigos da profissão ocorrem tanto para homens como para mulheres. 

“Vou falar como ser humano que o perigo é diário. Ele é visível e às vezes nós pegamos passageiros que nós vemos que ele está armado e não podemos nem falar nada porque somos avaliados por isso. Muitas vezes somos avaliados mal e nós temos passageiros que nos dão notas ruins. Temos sempre que estar dispostos a trabalhar, porque ninguém trabalha de aplicativo porque é bonito, porque é bom, trabalhamos porque a gente precisa. Temos família, saímos para trabalhar mas não sabemos se vamos voltar”, comentou.
Dilma ressaltou ainda que sente um calafrio e medo quando percebe que o passageiro está armado.

“Passa um frio na cabeça e depois eu me apego com Deus. Até hoje nunca aconteceu nada comigo. Tem dias que eu rodo até 22h, 0h, depende da meta que a gente quer alcançar. A única segurança que eu tenho é em Deus. O aplicativo não tem condições de colocar um segurança em cada veículo. A segurança tem que partir principalmente do governo para a gente possa se sentir protegido”, salientou.
Nilson de Almeida Souza, relatou que trabalha há nove meses como motorista de aplicativo, devido a necessidade de sustentar a família. Ele já foi vítima de assalto. O bandido levou seus pertences e declarou que todos os dias antes de sair de casa pede a Deus para que possa retornar em paz.
“Quando eu saio de casa eu peço: ‘Oh Senhor, estou saindo, mas eu quero voltar, porque tenho filhos, esposa, tenho uma família. Recomendo aos meus colegas que em caso de assaltos, por exemplo, não reajam e possam manter a calma”, finalizou.


    Créditos: Foto e matéria : Ed Santos/Acorda Cidade

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