CONSEGUIU APARECER NO G1 👍 Coordenador de políticas para cidadania LGBT denuncia restaurante em Salvador por agressão e suposta transfobia👍 - Observador Independente

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1 de dezembro de 2020

CONSEGUIU APARECER NO G1 👍 Coordenador de políticas para cidadania LGBT denuncia restaurante em Salvador por agressão e suposta transfobia👍



Por G1 BA

Polícia Civil instaurou o inquérito e apura agressão e transfobia que ocorreram em um restaurante de Salvador. Defesa do restaurante nega agressões e diz que homem trans se machucou durante uma convulsão.


O historiador e coordenador de políticas para cidadania LGBT da Secretaria Municipal de Reparação (Semur) denunciou donos de um restaurante em Salvador por agressão e transfobia.

Vida Bruno é homem trans e conta que após passar mal no Restaurante Cervantes no bairro do Campo Grande no domingo (29), foi arrastado do local e agredido.

"Foram três homens contra um. Meu braço está com uma luxação por causa do puxão que o proprietário fez. Eles bateram na minha cabeça, bateram minha cabeça no chão várias vezes. Eu tenho vários cortes na cabeça, aqui na parte da nuca. Eles foram muito agressivos, tomei soco no olho, no nariz. Uma barbárie, foi uma brutalidade que eu jamais imaginei que seria possível", disse.

O advogado do estabelecimento nega as agressões e diz que Vida Bruno teve uma convulsão no local e recebeu socorro de dois médicos que almoçavam no local. Disse ainda que o historiador teve um sangramento no nariz e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para socorrê-lo, mas foi Vida Bruno que não quis socorro. O historiador nega a versão do advogado.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o historiador e os donos do restaurante foram conduzidos para a Central de Flagrantes, por uma guarnição da Polícia Militar.

Todos foram ouvidos e o comunicante recebeu as guias para realização de exame de corpo de delito. Foi instaurado inquérito para apurar a denúncia de agressão e homofobia. A 1ª DT/Barris, que atende a região onde está localizado o estabelecimento, vai prosseguir com a investigação.

Após o ocorrido, Vida Bruno disse que não vai mais sair sozinho, por medo.

"Não saio mais sozinho, não tem condições você pode topar com um sujeito como esse. Me sinto humilhado, estou erguido, de pé porque não posso perder a consciência. O advogado [do restaurante] está querendo um exame psicológico e eu faço todos os que eles quiserem. O que não posso é me calar. Lutei a vida toda para ocupar esse espaço", conta.

Em Salvador, os estabelecimentos que discriminarem pessoas da comunidade LGBTQIA+ podem ser punidos com cassação de alvará e multas que variam de R$ 10 mil a R$ 100 mil.

Caso

Vida Bruno contou que depois de comer mexilhões no restaurante, começou a passar mal. Em seguida, pediu a garçonete que trouxesse a máquina para pagar a conta e solicitou ajudar para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) porque ele não estava bem.

"Depois que comi senti uma fraqueza nas pernas, comecei a suar. Eu não tinha nem condições de pegar o celular, para poder pegar. Logo em seguida veio a dona do restaurante e disse: 'não quero que você passe mal dentro do meu restaurante pegue suas coisas e vá embora'. Eu disse que não tinha condições de andar, estava sentindo uma fraqueza no corpo. Depois veio o marido dela, que me puxou pelo braço e me lançou para fora da mesa e eu já no chão. Ele começou a esticar os meus pés para me colocar para fora do restaurante e tirou meus dois sapatos", revelou.

Já fora do restaurante, Vida Bruno relatou que as agressões foram mais intensas. Enquanto ele era agredido, os pertences dele ficaram na mesa do restaurante, conforme relatou.

"Na porta do restaurante chegaram dois homens fortes e começaram a me aplicar mata-leão. Eu desacordei com falta de ar, por alguns segundos com falta de ar quando voltei eu pedia para me soltarem, dizia que eu era trabalhador, que trabalhava na prefeitura, mas mesmo assim veio o outro homem, me pegou pelas pernas e me jogou na rua. Quando o proprietário percebeu que se tratava de um homem trans, ele ainda abriu a minha camisa, expôs os meus seios dizendo: 'não se trata de homem isso aqui é uma puta negra", conta.

Vida Bruno contou ainda que quando conseguiu se desvencilhar dos homens, ele correu e foi procurar ajuda em bares da região.

"Eu saí tão desnorteado que eu atravessei a rua do Forte São Pedro sem nem pensar que poderia ser atropelado. Saí em direção a Casa D'Itália porque do outro lado têm alguns estabelecimentos e as pessoas me conhecem. Eles me ajudaram, me deram água e uma amiga minha que mora na região apareceu e me ajudou", conta.

A produtora cultural e artista Priscila Marques conta que não testemunhou o caso, mas ele é a amiga que prestou socorro a Vida Bruno.

"Eu estava saindo para ir na casa de uma amiga na hora que eu desci no meu prédio eu vi ele [Vida Bruno] sentado em um bar e as pessoas ao redor dele, dando água, socorro. Quando me aproximei, Vida disse que tinha sido agredido em um restaurante ali próximo, ele estava bastante machucado com pé sangrando, em estado de choque e dizia: me bateram muito", conta.

Após o relato do amigo, ela foi em busca de ajuda para recuperar os objetos que ficaram no restaurante e acionou a Polícia Militar.

"A gente só conseguiu pegar a mochila dele de volta quando acionamos a polícia e voltamos lá com a viatura. No restaurante, a dona deu a mochila dele para a polícia em um saco daqueles usados para transportar laranja, sabe?", contou.

Após o caso, Vida Bruno informou que fez o exame de corpo de delito solicitado pela polícia e em seguida, procurou atendimento em uma unidade médica de Salvador.

Versão do restaurante

O restaurante Cervantes postou um posicionamento do caso em uma conta nas redes sociais informando que Vida Bruno não foi agredido. Ele teria passado mal, teve uma convulsão e apresentou sinais de desorientação.

O Advogado dos donos, Vitor Viana, também falou com o G1.

"Está tudo sendo apurado pela polícia e tempos todas as provas, testemunhas, imagens e protocolo do Samu. Não estamos nos esquivando de nada e vamos mostrar tudo isso", disse.

As imagens, conforme informou Viana ainda não foram apresentadas à Polícia Civil, mas serão encaminhadas a 1ª DT/Barris, que investiga o caso.

"Ele teve convulsão de sair sangue pelo nariz. Teve que conter ele e segurar a língua e o procedimento foi feito por dois médico que estavam no local. Depois que comeu começou a convulsionar, chutando o mobiliado e apresentou desorientação. Ele não quis ser atendido pelo Samu saiu do restaurante. Nós lamentamos essa interpretação", disse.

O advogado também não presenciou o caso, mas negou que o o cliente tenha sido homofóbico. Disse ainda, que o dono do restaurante só soube que Vida Bruno era homem trans na delegacia.

Confira a nota na íntegra:


Ontem, dentro do restaurante, um cliente, que preservaremos a identidade, sofreu um ataque convulsivo sem conhecimento da causa, até o momento. Nossos funcionários e chefia deram assistência ao cliente desde o primeiro minuto, devido ao risco de engasgo com secreções e de lesões graves com os espasmos que ele apresentava ao longo das convulsões. A SAMU também foi acionada. Outros clientes que estavam presentes ajudaram a dar socorro a esta pessoa e podem confirmar, como testemunhas, que nossa preocupação maior foi com a segurança e a saúde dele em todos os momentos. Dois dos outros clientes que estavam presentes naquela tarde são médicos, e nos guiaram para prestar o socorro enquanto a SAMU não chegava. Jamais agiríamos de outra maneira.

Após as convulsões, nosso cliente que estava passando mal evoluiu com sinais de desorientação e começou a apresentar comportamento enérgico e explosivo, sem responder às tentativas de interação, machucando alguns de nossos funcionários e danificando o mobiliário, colocando a si próprio e a outros clientes presentes em risco. A SAMU, para quem foi entregue todos os pertences deixados no estabelecimento, chegou ao local mas o cliente não permitiu ser examinado ou acompanhado e saiu do local.

Estamos coletando depoimentos, vídeos de câmeras de segurança e outros dados que possam mostrar o que ocorreu ao certo, pois somos os mais interessados em entender tudo o que aconteceu de fato, trazendo a verdade à tona, como sempre foi por aqui. Ainda não sabemos a causa de afirmações totalmente divergentes dos dados da realidade que circularam hoje. Seguimos preocupados com o estado de saúde do cliente, e esperamos que ocorra avaliação médica para melhor definir possíveis causas, assim como os cuidados necessários, na perspectiva de evitar risco de novos eventos.

Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ajudar um cliente, como faríamos com qualquer pessoa que entre em nossa casa. Por fim, queremos informar que todas as pessoas que ajudaram a salvar a vida deste cliente estão completamente dedicadas a esclarecer as circunstâncias dos fatos já relatados, prestando todos os depoimentos necessários para o processo que já está correndo na justiça com testemunhas e imagens.


Fonte :::: G1 BA /  Foto: Arquivo Pessoal

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