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quarta-feira, março 10, 2021

Taxa de desemprego bate recorde na Bahia e atinge marca de 19,8% em 2020; a maior do Brasil



A Bahia registrou, em 2020, o menor número de trabalhadores e o maior número de desempregados em oito anos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE), a taxa de desocupação chegou ao recorde de 19,8% no estado, sendo a maior do Brasil.


Apenas nos últimos três meses do ano passado, a taxa de desocupação na Bahia ficou em 20%, um pouco menor do que a verificada no trimestre anterior, de (20,7%). O número é maior do que o registrado nos três ultimos meses de 2019, que foi de 16,4%. Desde então, o estado tem liderado o ranking de desocupação no país.

Segundo o IBGE, a última vez que a Bahia havia fechado um ano inteiro com a maior taxa do Brasil havia sido em 2016, com 15,9%. Em 2020, ela foi bem superior à nacional como um todo, que registrou média de 13,5%, e um pouco mais do que o triplo da verificada em Santa Catarina, estado com menor desocupação no país, com 6,1%.

A taxa de desocupação mede a proporção de pessoas de 14 anos ou mais de idade que não trabalharam e procuraram trabalho, em relação ao total de pessoas que compõe uma massa ativa, seja trabalhando (pessoas ocupadas) ou procurando (desocupadas).

INFORMAIS

A cada 10 pessoas que deixaram de trabalhar na Bahia, de 2019 para 2020, oito eram informais, segundo o IBGE. A categoria representa 515 mil dos 626 mil trabalhadores a menos.

Esse grupo, que representava 54,7% dos trabalhadores baianos em 2019, caiu de 3,165 milhões para 2,651 milhões de pessoas em um ano, ou seja, 16,3% a menos. Isso representou menos 515 mil ocupados na informalidade entre 2019 e 2020, ou 82,2% de todas as pessoas que deixaram de trabalhar na Bahia, nesse período.

Embora ainda representassem mais da metade da população ocupada no estado em 2020 (51,3%), os trabalhadores informais chegaram no ano passado ao seu menor número desde o início da serie histórica da PNAD Contínua para esse indicador, em 2016.

São considerados informais os empregados que não têm carteira assinada (inclusive trabalhadores domésticos e trabalhadores do setor público), os trabalhadores autônomos (por conta própria) ou empregadores sem CNPJ e as pessoas que trabalham como auxiliares em algum negócio familiar.

TRABALHADORES

Para os pesquisadores, a taxa de desocupação histórica foi resultado de recordes negativos em todos os grupos populacionais envolvidos no mercado de trabalho no estado. O número de pessoas trabalhando, fosse em ocupações formais ou informais (população ocupada), chegou ao seu mais baixo patamar desde 2012: 5,159 milhões. Isso representou 626 mil pessoas ocupadas a menos do que 2019, uma queda de 10,8%.

Por outro lado, o número de pessoas que não estavam trabalhando e procuraram trabalho no estado (população desocupada) atingiu seu pico, chegando a 1,272 milhão de desocupados, 70 mil a mais do que em 2019.

A taxa de desocupação só não foi ainda maior na Bahia, em 2020, porque também cresceu de forma significativa o número de pessoas que estavam fora da força de trabalho, ou seja, que por algum motivo não estavam trabalhando nem procuraram trabalho. Esse grupo somou, em média, 5,795 milhões de pessoas no estado, no ano passado, 782 mil a mais do que em 2019. Ou seja, há mais pessoas que não estão procurando trabalho do que as que estão trabalhando no momento.

CARTEIRA ASSINADA

Os que mais perderam trabalho, em números absolutos, foram os empregados no setor privado sem carteira assinada, que passaram de 1,077 milhão em 2019 para 834 mil em 2020 (-244 mil ou - 22,6%). Em termos percentuais, porém, a maior queda ocorreu entre os trabalhadores domésticos, que passaram de 408 mil para 300 mil em um ano, cerca de 108 mil a menos ou -26,5%.

Mas o emprego com carteira assinada também recuou na Bahia, no ano passado, chegando a seu menor patamar desde 2012, com 1,327 milhão de empregados no setor privado nessa condição, 134 mil a menos do que em 2019, ou -9,2%.

De 2019 para 2020, apenas o setor público teve saldo positivo na ocupação, na Bahia, com o grupo dos servidores estatutários e militares crescendo 7,8% e os empregados sem carteira no setor público se ampliando 6,2%.

RENDIMENTO MÉDIO

Em média, no ano de 2020, o rendimento médio real (descontados os efeitos da inflação) mensal habitualmente recebido por todos os trabalhos na Bahia ficou em R$ 1.730. Esse foi o maior valor para o estado desde 2016, quando se iniciou a nova série histórica da PNAD Contínua para esse indicador, por unidade da Federação. Houve uma alta importante (+10,8%) em relação a 2019, quando o valor havia sido de R$ 1.562.

O movimento de aumento na média se explica principalmente pela redução do número de trabalhadores fortemente concentrada entre os informais, que normalmente ganham menos.

Apesar do avanço, o rendimento médio mensal dos trabalhadores baianos em 2020 ainda era o quarto menor do país, mais alto apenas que os de Maranhão (R$ 1.451), Piauí (R$ 1.518) e Alagoas (R$ 1.620). Ficava 32,0% abaixo do valor nacional (R$ 2.543) e era menos da metade do rendimento do Distrito Federal, o maior do país (R$ 4.229).


Crédito da Foto: ilustrativa/Pexels

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