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quarta-feira, julho 07, 2021

Bolsonaristas chamam aliados a migrar para nova rede social




Plataforma vira reduto de militantes de direita e extremistas barrados pelas principais empresas por descumprirem regras de conduta.


Vinícius Valfré / Terra


Bolsonaristas passaram a convocar aliados a migrar a uma nova rede social criada por um ex-conselheiro de Donald Trump para acolher militantes de direita e extremistas barrados pelas principais plataformas por descumprimento das regras de conduta.

O GETTR foi lançado neste domingo, 4, por Jason Miller, porta-voz do ex-presidente americano na campanha de 2016 e um dos seus conselheiros na disputa à reeleição em 2020.

Não é a primeira vez que bolsonaristas e militantes da extrema-direita fazem campanha de migração para plataformas que não restringem conteúdos. O Gab e o Parler já foram propagandeados por esses grupos no Brasil, recentemente.

No entanto, as investidas acabam funcionando apenas para alimentar a retórica de que são perseguidos por Twitter, Facebook e Instagram. Na prática, os bolsonaristas não chegam a fechar as próprias contas nas redes principais, onde está a grande massa de usuários.

Entre as propostas da nova rede estão "rejeitar a cultura do cancelamento" e não banir usuários por suas "opiniões políticas". A data de lançamento foi escolhida para "independência das gigantes do Vale do Silício". Assim como as demais, ela permite publicações, comentários, likes e republicações.

"Foi lançada a GETTR, a nova rede social de Trump, e eu já estou lá. Mais uma rede em defesa da liberdade. Acesse, se inscreva e me siga", publicou o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

Diferentemente do que afirma Flávio, a rede social não é um novo negócio de Trump. Banido do Twitter, o ex-presidente dos Estados Unidos nem tem conta oficial no GETTR. O filho Zero Um de Jair Bolsonaro já acumula mais de 25 mil seguidores. No Twitter, tem 1,6 milhão.

Com mais de 20 mil seguidores, o perfil do presidente Jair Bolsonaro no GETTR ainda não foi identificado como oficial.

O blogueiro Allan dos Santos também tem incentivado seus seguidores a aderirem ao novo site. Ele é um dos alvos de inquérito aberto por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para apurar indícios de que uma organização criminosa com atuação digital funciona para "atentar contra a democracia e o Estado de Direito". Apesar de dizer que é censurado pelo Twitter, ele continua ativo na rede. Deputados bolsonaristas também são suspeitos de integrarem a organização.

As investidas contra as principais plataformas coincidem com a perda de espaço das narrativas bolsonaristas nesses espaços. O monitoramento feito pela consultoria AP Exata sobre o "sentimento" dos internautas nessas redes aponta que as menções negativas (62%) a Bolsonaro são mais volumosas do que a positivas (38%), segundo os dados mais recentes.



Foto: Reprodução / Estadão

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