Sem moradia e emprego, mulher e filho vivem em ponto de ônibus em Salvador: 'Estou sofrendo com a chuva' - Observador Independente

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quarta-feira, julho 14, 2021

Sem moradia e emprego, mulher e filho vivem em ponto de ônibus em Salvador: 'Estou sofrendo com a chuva'




Rita de Cássia Mendes conta que o filho passou a apresentar sintomas de transtornos mentais e a viver nas ruas de Salvador. Para não deixá-lo sozinho, ela foi montou uma "casa" improvisada em um ponto de ônibus no Centro Administrativo da Bahia (Cab).


Por causa do desemprego, falta de moradia e por precisar cuidar do filho com transtornos mentais, Rita de Cássia Mendes está há dois meses abrigada em um ponto de ônibus, localizado no Centro Administrativo da Bahia (Cab), em Salvador.

Ela relata que foi para o ponto de ônibus para não deixar o filho, Natanael, sozinho. O caçula de três filhos começou a apresentar sintomas de transtornos psicológicos no início deste ano, e desde então, passou a ficar nas ruas de Salvador.

“Ele está com problema psicológico. Eu vim buscar ele, mas vim aqui ficar com ele, para não deixá-lo sozinho. Ele está doente, não pode ficar só”, conta Rita de Cássia.

Desde que começou a apresentar sintomas de transtorno mental, Natanael parou de trabalhar. Ela recebe o benefício do Bolsa Família, mas não é o suficiente. Era ele quem pagava o aluguel da mãe e os outros filhos ajudavam com alimentação e outras despesas, porém, no momento, todos estão desempregados.

"Esses dias aqui, estou sofrendo com a chuva. Quando está chovendo, a madrugada toda chovendo, passo a noite em claro, só vou dormir de manhã. De noite é pior, porque fica tudo deserto”, 

detalha.

Rita de Cássia relata ainda que deixou os móveis e eletrodomésticos na casa de familiares, e que os parentes não possuem condições de acolher mãe e filho. No ponto de ônibus, ela conta com ajuda de doações de pessoas que passam pelo local.

A mulher conta que já conseguiu dar entrada no Auxílio Aluguel da prefeitura, que está em análise. Além disso, uma equipe da prefeitura foi até o local para oferecer acolhimento, mas ela conta que só vai sair do local junto com o filho.

“Assim que eu receber, já vou procurar a casa. Eles queriam me levar, mas eu não fui, por causa dele. Não posso deixá-lo sozinho. Se eu for para um lugar, tenho que levar ele junto comigo”, disse.

Por meio de nota, a Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) informou que mãe e filho estão sendo acompanhados pelo serviço especializado em abordagem social. Disse ainda que foi oferecido acompanhamento para os dois, mas eles decidiram ir para casa de familiares, porque Natanael apresenta transtornos mentais.

A Sempre informou também que Natanael foi avaliado e está recebendo os medicamentos. Por fim, a Secretaria disse que já foi solicitado o auxílio moradia, que deve ser liberado na próxima terça-feira (22), que depois que eles estiverem em moradia fixa, mãe e filho vão continuar sendo acompanhados por uma equipe especializada de assistência social.

Sobre o caso, a defensora pública Fabiana Miranda disse que o órgão tomou conhecimento sobre a situação da família no dia 14 de junho e que, logo depois, tomou as medidas necessárias. O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) também foi acionado para prestar atendimento a Natanael.

"Assim que nós tomamos conhecimento, acionamos o serviço de abordagem do município, que foi até o local fazer o acolhimento, e ofertou uma vaga em uma unidade de acolhimento e auxílio moradia. Como ela se recusou a sair de lá por causa do filho, acionamos também o Caps”, explica a defensora.

Ainda segundo a defensora, a equipe do Caps não conseguiu dar seguimento no atendimento psiquiátrico de Natanael. Na tarde desta quarta-feira (14), uma equipe da coordenação de saúde mental do município vai até o local para encaminhar o paciente para uma unidade de tratamento.

Aumento da população em situação de rua

Segundo a defensora, o órgão tem notado um aumento no número de casos de pessoas em situação de rua e de pessoas que precisam de cuidados psiquiátricos, durante a pandemia de Covid-19.

“Nós sentimos que houve um grande aumento tanto da população em situação de rua em Salvador, como dos casos de saúde mental. Uma equipe da defensoria esteve no viaduto do Orixás Center e todo o viaduto estava tomado por famílias em situação de rua. Cerca de 60 pessoas foram atendidas”, disse.

Ela detalha ainda que, mesmo em uma pandemia, em que há registo de aumento de pessoas com transtorno mental, houve uma diminuição nos recursos voltados para à área de saúde mental, e que por isso, o órgão encontra dificuldade em dar continuidade aos atendimentos.

“As equipes estão reduzidas, e isso é um contrassenso diante desse período de pandemia, que todo mundo sabe que há aumento nos casos de saúde mental, e as pessoas precisam ser urgentemente cuidadas”, conclui.

Os atendimentos presenciais da Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA) vão retornar na próxima sexta-feira (23). Para solicitar atendimento na área de população em situação de rua ou relacionados à saúde mental, os interessados podem ir até a unidade da defensoria localizada no bairro do Canela, em Salvador.



Foto: Reprodução/TV Bahia

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