Aprovada na Câmara, coligação proporcional pode retomar "alianças esdrúxulas" - Observador Independente

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segunda-feira, setembro 06, 2021

Aprovada na Câmara, coligação proporcional pode retomar "alianças esdrúxulas"



Regra está sob análise no Senado já pôs na mesma chapa siglas adversárias como PT e PSDB.


Antes do escândalo do mensalão, em 2004, o então chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, fez uma série de reuniões com o dono do PTB, Roberto Jefferson. No Palácio do Planalto, traçaram uma estratégia conjunta para as eleições municipais. O PTB faria uma aliança inédita com o PT. A ideia era dar musculatura à legenda de Jefferson. Em troca, petistas seriam beneficiados por ter uma força auxiliar no Congresso.

O acordo terminou com críticas públicas entre filiados das duas legendas. Os resultados foram esdrúxulos. No Rio, os votos de Carlos Bolsonaro (à época no PTB) ajudaram a eleger vereadores de esquerda, como Eliomar Coelho (hoje no PSOL). Já o mais votado da aliança, o petista Edson Santos, angariou votos para eleger Cristiane Brasil, a filha de Jefferson.

O resultado só foi possível porque havia uma regra para a disputa: a possibilidade de coligação proporcional. Neste tipo de aliança, não é incomum que o eleitor escolha um nome alinhado a um campo de ideias e acabe contribuindo para a vitória de um postulante com crenças distintas.

Com a nova reforma política, esse tipo de cenário poderá se repetir. Aprovada na Câmara e em análise pelo Senado, a proposta retoma o expediente, abolido por alteração da legislação em 2017. Na ocasião, foi determinado um prazo: o fim das coligações só ocorreria a partir de 2020.

Até agora, a regra só vigorou na eleição do nao passado. Em 2022, seria a primeira vez que a alteração da norma impactaria a escolha de deputados federais e estaduais.

Em 2004, a aliança do PTB com o PT causou mal-estar nas duas siglas. Antes do pleito, Cristiane Brasil, por exemplo, deixou uma secretaria do então prefeito Cesar Maia (PFL) para pedir votos ao lado de petistas. Ela sequer conhecia o candidato do partido de esquerda, Jorge Bittar, que foi derrotado por Cesar, reeleito em primeiro turno.


Foto :::: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

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