ILHA DAS FLORES / SE @ Jovens do sertão da Bahia compartilham experiências em produção de alimentos durante Intercâmbio em Sergipe - Observador Independente

BAHIA

25 de julio de 2018

ILHA DAS FLORES / SE @ Jovens do sertão da Bahia compartilham experiências em produção de alimentos durante Intercâmbio em Sergipe

Na foto linguiça de jaca / Crédito da foto / Agência Chocalho



Ao pensar na variedade de matéria-prima para fazer linguiça, você já havia imaginado se deliciando com uma linguiça de jaca? Esse é apenas um dos produtos que foram levados para o “Intercâmbio em Ecogastronomia Slow Food para os jovens dos projetos FIDA no Brasil”, que teve início no último dia 23 e encerra hoje (25) na comunidade quilombola de Brejões, em Ilha das Flores, em Sergipe. 

O evento reúne cerca de 30 jovens de diversas comunidades rurais beneficiárias de projetos apoiados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), no Nordeste do Brasil. Dentre esses jovens, Vandielson de Jesus Silva, do município de Antônio Gonçalves e Marcela Alves Magalhães, do município de Filadélfia, ambos no sertão da Bahia, participam representando o Projeto Pró-Semiárido, executado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR) em 32 municípios do Semiárido baiano, através da Companhia de Ação e Desenvolvimento Regional (CAR), com recursos do FIDA. 

O Intercâmbio tem como tema “Valorização da agrobiodiversidade na gastronomia Slow Food no Semiárido brasileiro” e promove espaços como oficinas e visitas a comunidades que lidam com produção de arroz orgânico e galinha caipira, pesca artesanal, mariscos, agricultura de sequeiro, apicultura, entre outros, todas iniciativas que já recebem apoio do FIDA no interior do estado através do projeto Dom Távora. 

Dentre as receitas apresentadas pelos Chefs Timóteo Domingos e Leila Carreiro estão inovações como coxinha de cacto, pizza de palma, bolo de casca de abóbora, doce de folha de umbuzeiro. Além disso, as/os jovens participantes também apresentaram produtos desenvolvidos em suas comunidades ou pesquisas protagonizadas pelos/as mesmos/as. 

A linguiça de jaca, por exemplo, é uma das iguarias que vem sendo estudadas pelo jovem Vandielson de Jesus, que está concluindo o curso técnico em produção de alimentos no Instituto federal da Bahia, Campus de Senhor do Bonfim. 

Vandielson observou que a jaca é um produto sazonal e que se perdia na região do Território de Identidade Piemonte Norte de Itapicuru, na Bahia. A partir disso ele pesquisa a viabilidade de derivados como compotas, doces, jaca cristalizada e a linguiça vegana feita com a fruta. 
Esse intercâmbio abriu cada vez mais a minha mente, de que podemos usar coisas simples e transformar em coisas inovadoras. Eu espero poder compartilhar esse conhecimento na Bahia inteira, na minha região (...), para que as pessoas olhem para o que elas produzem e percebam que elas tem algo muito valoroso que pode ser transformado em algo de muito mais valor, 
observa Vandielson. 

A troca de experiência com outros/as jovens, o conhecimento de outras culturas se associam com os conhecimento adquiridos no curso técnico, que, segundo Vandielson, explora muito temas como a economia solidária a partir da agregação e valor à produção local, aspecto que o Projeto Pró-Semiárido também reconhece e busca fortalecer. 

Para Marcela Alves, o Intercâmbio está sendo uma oportunidade de levar “um pouco da realidade rural e de tudo que meu sertão tem a oferecer, uma riqueza muito grande, que por diversas vezes nós jovens não temos essa oportunidade de nos encontrarmos com outros jovens de outras localidades, que também tem uma experiência e uma cultura diferente da nossa, (...) que tem só a nos engrandecer”, avalia. 

O “Intercâmbio em Ecogastronomia Slow Food para os jovens dos projetos FIDA no Brasil” tem por objetivo proporcionar a jovens oriundos de assentamentos e comunidades tradicionais que tem por base a agricultura familiar a experiência com a alimentação, gastronomia e biodiversidade alimentar. De acordo com o Semear, trata-se de um primeiro ciclo de capacitação em ecogastronomia que visa a troca de experiência com a realidade de outros territórios, considerando a agrobiodiversidade local e a convivência com as mudanças climáticas. 

O evento é promovido pelo FIDA por meio do Programa Semear Internacional, e conta com o apoio do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Associação Slow Food Brasil, Projeto Dom Távora de Sergipe, e demais projetos apoiados pelo FIDA no Brasil. 



Produção de texto / Agência Chocalho

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