FEIRA DE SANTANA @ Congresso aborda os desafios da identificação humana em desastres e a segurança em Olimpíadas - Observador Independente

BAHIA

23 de agosto de 2018

FEIRA DE SANTANA @ Congresso aborda os desafios da identificação humana em desastres e a segurança em Olimpíadas

A cerimônia de abertura ocorreu no Cajueiro Convenções. O evento conta com representantes de diversos países. Crédito da foto // Ed Santos/Acorda Cidade



Teve início nesta quinta-feira (23), em Feira de Santana, o terceiro Congresso Internacional de Desastres em Massa (Cidem). A cerimônia de abertura ocorreu no Cajueiro Convenções. Participam do evento agentes das forças militares da Bahia, de outros estados da Brasil e 15 agentes da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), além uma equipe de estudiosos japoneses, que estará em contato com a expertise dos profissionais baianos em eventos de grande porte para implantá-la nos Jogos Olímpicos de 2020, realizados em Tóquio.

A principal atração do Congresso é um simulado realizado no sábado (25), com temas como emergências ambientais, explosões com produtos inflamáveis, incêndios e uma ação no Hospital Clériston Andrade, simulando o transporte de vítimas com helicóptero e ambulâncias. 

Crédito da foto // Ed Santos/Acorda Cidade

Uma das palestras realizadas hoje foi sobre os desafios da identificação humana em uma situação de desastre. Ricardo Henrique Alves da Silva, da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto, explicou, em entrevista ao Acorda Cidade, que existe uma parceria entre a Polícia Federal e a USP Ribeirão Preto, onde é feito um treinamento especificamente para a área de odontologia, que se vincula aos protocolos internacionais.

Crédito da foto // Ed Santos/Acorda Cidade

“Lá a gente estabelece toda a parte dos times envolvidos na identificação e com isso a gente faz vários exercícios de recuperação de dados anti-mortem e dados pós-mortem, para poder fazer o confronto e enviar os dados para o Comitê de Identificação. Então é um treinamento feito de maneira presencial. Já tivemos duas edições deles, com peritos do Brasil inteiro, e tem partes teóricas e práticas dentro da própria estrutura da USP, que é quem desenvolve didaticamente o treinamento”, afirmou em entrevista ao Acorda Cidade.

Segundo Ricardo Henrique, os principais desafios para a identificação humana são a condição em que o corpo se encontra e dados para confronto.

“No Brasil, na última década, tivemos grandes desastres, que envolvem acidentes aéreos, deslizamento de terra e desastres naturais, então a gente pode ter corpos ali decompostos, carbonizados, mutilados, fragmentados. O segundo desafio é conseguir dados para o confronto, porque normalmente você tem a vítima, o corpo, ou remanescente humano ali para se utilizar, mas a gente tem a dificuldade relacionada a obter o dado anti-mortem, ou seja, um dado em vida que possa gerar esse confronto. A gente busca esgotar todas as alternativas possíveis, e isso dentro de protocolos internacionais significa trabalhar com os três principais métodos de identificação primária, que são as impressões digitais, odontologia legal e o DNA. Espera-se que, de alguma forma, por um desses métodos a gente consiga obter a identificação, mas não obtendo, temos que esperar aparecer algum elemento de confronto para que possamos gerar a identidade desse indivíduo”, detalhou.

Crédito da foto // Ed Santos/Acorda Cidade

O tenente-coronel Janilson Campos Teixeira, que participou do planejamento operacional para segurança das Olimpíadas no Rio de Janeiro, também trouxe durante uma palestra toda a experiência que conseguiu ao fazer parte do evento esportivo.

“Eu fui um dos oficiais que trabalhou na parte de planejamento operacional de um dos locais do Rio de Janeiro. O Rio foi fatiado em quatro grandes áreas de combate, e na parte do Maracanã eu fui um dos responsáveis pelo planejamento da segurança. Pegamos o estádio do Maracanã, o Maracananzinho, o Engenhão, e o Sambódromo. Neste período aprendemos bastante coisa, que apresentamos no Cidem. Muitas delas foram vocacionadas para a área de desastres naturais”, destacou.

Conforme o tenente-coronel, foi necessário unir as forças de segurança para prevenir um atentado no Rio, durante as Olimpíadas.

“A Olimpíada foi o grande motivo desse tema no Cidem, que teve a reunião a nível mundial de várias pessoas e tinha a possibilidade imensa de ocorrer acidentes na parte de antrópicos, que são químicos, radiológicos, biológicos e nuclear. Por isso o país uniu forças com toda a área de segurança para tentar impedir e tivemos uma grande vitória, pois não tivemos nenhuma ocorrência de um grande atentado, em um momento onde o mundo vivia a ocorrência de vários atentados, principalmente no continente europeu. Foi muito trabalho e união de forças, que a gente chama de operações interagências.” 

Crédito da foto // Ed Santos/Acorda Cidade

Ele esclareceu que as medidas em caso de desastres são trabalhadas em cima de protocolos, em que cada entidade tem que saber o que vai fazer.

“Em Feira, estamos trabalhando em cima do PAM (Programa de Apoio Mútuo), onde as organizações de segurança como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e as indústrias estão elaborando um plano para poder evitar qualquer acidente de calamidades naturais e antrópicos. Amanhã teremos uma palestra para falar mais sobre o PAM”, afirmou.

Ainda de acordo com Janilson Campos Teixeira, a importância de realizar um congresso como esse em Feira é muito grande. “Primeiro para mostrar para o país e para o mundo, haja vista que temos representantes do Japão, onde serão sediados os próximos jogos olímpicos, temos americanos, franceses, espanhóis, entre outros, que Feira de Santana está alinhada e preocupada com essa problemática de desastres naturais”.

Com informações e fotos do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

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