SALVADOR @ Um ano após tragédia, travessia Salvador-Mar Grande mantém riscos - Observador Independente

BAHIA

23 de agosto de 2018

SALVADOR @ Um ano após tragédia, travessia Salvador-Mar Grande mantém riscos

Apesar da comoção momentânea, pouca coisa foi feita para evitar novas mortes
Crédito da foto // Alberto Maraux/SSP-BA




Há quase um ano, a Bahia assistia ao naufrágio da lancha Cavalo Marinho I, que saiu do Terminal Marítimo de Vera Cruz com destino a Salvador, na manhã do dia 24 de agosto de 2017. Menos de dez minutos após o início da viagem, a embarcação virou, matando 19 pessoas e deixando toda uma população refletindo sobre o que poderia ter evitado a tragédia. 

O fato é que, apesar da comoção momentânea, pouca coisa foi feita para evitar novas mortes. “Quem precisa viajar todos os dias vai com medo. O jeito é se pegar com Deus, porque quem pode fazer alguma coisa para melhorar a situação do passageiro não tem se importado”, relata o vendedor José Nunes, que mora na ilha e utiliza as lanchas diariamente. 

Agerba: “Sem previsão” de lista de passageiros
A ausência do controle de passageiros que embarcam nas lanchas, fator apontado como dificultador na identificação das vítimas da Cavalo Marinho, foi classificada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) como “infração gravíssima”, mas, segundo a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) — que deveria fiscalizar o sistema — não existe prazo para a adequação. “A travessia tem característica urbana, com alta concentração de passageiros e saídas a cada meia hora. Não há previsão para mudança nos procedimentos de embarque”, disse em nota.

Crédito da foto // Alberto Maraux/SSP-BA

“População criou ranço do sistema”

Para o prefeito de Vera Cruz, Marcus Vinícius (PMDB), existe um trauma em relação a falta de segurança na travessia. “A população pegou um ranço do sistema. Vai levar tempo para que essas pessoas sintam confiança em utilizar esse transporte”, disse. 

Apesar da sensação de medo, segundo o prefeito, as melhorias feitas aumentaram a segurança. “A fiscalização da Marinha agora é bem mais atuante. Nós temos diversas embarcações presas, inclusive da empresa da Cavalo Marinho I. Para mim, o que vai ser a maior alteração, é essa obra de dragagem de todo o trecho. Depois do farol tem uma região de banco de areia, que provocam ondas maiores, essa dragagem vai retirar os bancos. Isso, de imediato, vai trazer mais segurança. A médio prazo, vai permitir que outros tipos de embarcações façam essa travessia. A gente melhorou a infraestrutura do terminal”, explicou. Segundo a Agerba, 16 fiscais vistoriam lanchas e ferries. 

“Precário e inseguro”

Porém, na opinião do Ministério Público, a adequação está longe de ser suficiente. Desde 2006 as condições “precárias e inseguras” da travessia são denunciadas pelo MP. Segundo a promotora Joseane Suzart, foram ajuizadas Ações Civis Públicas nos anos de 2006, 2007 e 2014. “Após a tragédia, o MP fez um pedido de tutela cautelar de urgência para suspensão do serviço e ajuizou uma nova ação requerendo a cassação do serviço prestado pelas empresas. Esta ação encontra-se na Justiça”, explicou o MP.

Procurada pelo Jornal da Metrópole, a Capitania dos Portos não se posicionou sobre a continuidade da falta de lista de passageiros nas embarcações que fazem a travessia. Questionada sobre quais medidas foram adotadas para aumentar a segurança, a Associação dos Transportadores Marítimos da Bahia (Astramab) afirmou que “orienta os operadores”. A defensora pública da Bahia Mônica Aragão não descarta um acordo com as empresas que pertencem ao dono de embarcação.



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