ARTIGO @ No setor público, sem concurso ou indicação política - Observador Independente

BAHIA

9 de septiembre de 2018

ARTIGO @ No setor público, sem concurso ou indicação política

Crédito da foto / Padrão OBI - Divulgação   



Publicado por Jota Info



Costuma-se pensar que, para entrar no serviço público, é necessário prestar um concurso ou ser próximo de algum partido político que possa arranjar um cargo em comissão. Mas a startup Vetor Brasil mostra que há uma terceira via. Ela faz a ponte entre jovens talentos e governos que buscam oxigenar o setor público em vez de recorrer a compadrios.

A iniciativa surgiu num contexto de aumento pelo mundo do empreendedorismo de impacto social. No Brasil, segundo um relatório da Aspen Network for Development Entrepeneurs (ANDE), apesar da crise econômica, o investimento em negócios que buscam soluções para problemas sociais e ambientais cresceram de US$ 177 milhões para US$ 186 milhões de 2014 a 2016.

No caso dos 18 funcionários da Vetor Brasil, a missão é ter impacto de alto nível e em escala no serviço público brasileiro. Tradicionalmente associado à letargia, o setor público muitas vezes ficava fora dos planos de carreira de jovens que não queriam prestar concurso ou se envolver politicamente. Nos últimos anos, o interesse em melhorar a gestão pública e empreender em áreas de impacto social mudou o cenário.

Em linhas gerais, o objetivo da Vetor Brasil é atrair talentos interessados em trabalhar no governo, selecioná-los para atuar nos órgãos por meio de termos de cooperação e desenvolvê-los com treinamento e acompanhamento. “Nossa missão é criar uma rede de talentos para potencializar o setor público”, diz Joice Toyota, fundadora do Vetor Brasil. “Muitos diziam que essa demanda não existia para o governo”.

Não é isso que os dados dos programas de treinamento da startup mostram até aqui. Nos últimos anos, mais de 50 mil pessoas participaram de seus processos seletivos, numa progressão acelerada da busca: saltou de 1.700 inscritos em 2014 para 16 mil, em duas etapas, no ano passado. Neste ano, Toyota espera que as inscrições, que estão abertas até o final de setembro, cresçam ainda mais.

Entre os inscritos, 260 já ocuparam cargos em mais de cem órgãos públicos de 45 governos municipais e estaduais das 27 unidades federativas. Eles atuam em governos de 10 partidos políticos diferentes.

O processo de seleção não é simples. São seis etapas até que o candidato assuma uma função em um órgão público, que vão de testes específicos, entrevistas com gestores do Vetor e com o próprio departamento em que será alocado.

Eles também passam por um programa – realizado por meio de um algoritmo de metodologia própria da Vetor – que analisa diversas variáveis, como as competências, resiliência, capacidade de trabalho em equipe e disposição para se mudar a trabalho, uma vez que 90% dos trainees têm de mudar de estado para exercer os cargos.

Depois de aprovados na seleção, eles passam por cem horas de treinamento na sede da companhia, em São Paulo, onde imergem na cultura da startup. Outras cem horas de aulas online acontecem ao longo do período em que trabalham para ampliar as noções sobre o funcionamento do setor público. Ainda recebem mentoria para o planejamento da carreira e, nos primeiros três meses na função pública, são acompanhados por um coach.

Durante toda a trajetória, os trainees são acompanhados pela Vetor. Uma das razões é motivá-los diante do cenário adverso encontrado nas repartições e pela dificuldade de adaptação a outras culturas. “Em algum momento, todos eles vão querer desistir”, pondera Joice.

Ela fala com a propriedade de quem já viveu na pele o desafio de atuar no setor público. No início da década, ao trabalhar numa renomada consultoria internacional, fez parte de um projeto na secretaria de Educação do Amazonas. Lá, observou em primeira mão os processos que faziam com que os serviços nas escolas – como a entrega de merenda ou a presença de professores – fossem afetados. “Vi que eu era capaz de fazer uma mudança”, diz.

Depois de finalizado o projeto, deixou a consultoria e foi atuar numa reforma educacional na secretaria de Educação de Goiás. Então, em 2014, fundou junto com José Frederico a Vetor Brasil.



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