CHAPADA DIAMANTINA @ Pequenos produtores cultivam rosa do deserto na Bahia - Observador Independente

BAHIA

2 de septiembre de 2018

CHAPADA DIAMANTINA @ Pequenos produtores cultivam rosa do deserto na Bahia

O clima propício da Chapada Diamantina é o local escolhido por um grupo de agricultores familiares para produzir flores tropicais e a rosa do deserto. (Foto: Reprodução: TV Globo)




Por José Raimundo, Morro do Chapéu, BA



Além de ser natureza exuberante, a Chapada Diamantina também é terra de agricultura diversificada. De uns anos para cá, um novo cultivo vem ganhando força e atraindo cada vez mais gente para região: a produção de flores.

A alegria do seu Francisco Gomes tem dois motivos: o amor pela sanfona e pelas flores. O lote onde ele cultiva tem um hectare e fica em Morro do Chapéu, centro-norte baiano. "É uma terapia. Adoro estar aqui. Eu vou fazer meus shows por aí e fico doidinho para chegar logo na minha roça", conta.

O seu Chico é um dos forrozeiros mais requisitados da região. Ele vive principalmente da sanfona, mas nos últimos anos começou a ganhar dinheiro com as rosas. "Estamos aqui na produção de rosas. Deu uma tranquilidadezinha no orçamento, melhorou mais o orçamento familiar."

Seu Chico também é o presidente de uma associação que reúne 15 produtores. Eles cultivam cinco tipos de flores em áreas irrigadas e a rosa é o proudo principal. Eduardo Gama é empresário da construção civíl e veio para a Chapada e plantou 7 mil pés em terra própria e mais 23 mil em áreas arrendadas.

Ele produz 100 dúzias de rosas por mês, vende 12 flores por R$ 15 e o custo de produção é de 50%. "Para mim tá ótimo. A perspectiva é que seja mais, né. Daqui uns dias vai ter mais colheita", diz Eduardo.

Para melhorar a produtividade das áreas, os agricultores contam com a assistência de um agrônomo e dois técnicos agrícolas, que também são produtores e membros da associação. É o caso dos técnicos Elói Falcão e Francikleber Macário. Eles explicam que a Chapada tem uma natureza favorável para produção de flores.

Glória Rocha é de Morro do Chapéu, mas ainda jovem foi para Salvador trabalhar e por lá ficou 30 anos. Há pouco tempo voltou para Morro e encontrou nas flores um jeito de se manter pela cidade. No sítio de pouco mais de um hectare, ela produz Statices, flores coloridas usadas em arranjos, buquês e jardins. "Produzo 50 buquês, mas quando eu viajo, compro de outros produtores para poder levar 200, 250 buquês para Salvador"

Ela vende os buquês por R$ 50 e gasta R$ 20 para produzir.

A Rosa do Deserto
Pequenos produtores cultivam rosa do deserto na Bahia (Foto: Reprodução: TV Globo)


Em um sítio, são produzidas flores muito raras: as rosas do deserto, que existem em várias espécies e todas do gênero Adenium.

As plantas são originárias de regiões secas de países da costa leste da África e da Península Arábica. Apesar do nome, essa flor não se parece com as rosas tradicionais e o produto de venda não é a flor, mas, sim, a planta toda, que pode ser comercializada em mudas ou em vasos.

Um dos segredos destas flores é a longevidade. No sítio, a rosa mais antiga tem 18 anos e não se sabe quanto tempo ela vai durar na Chapada, mas no deserto elas vivem muito mais de um século.

"É uma planta que atrai à primeira vista", diz Julio Rodrigues, agrônomo e professor aposentado da UFPE

Julio e Damares são agrônomos, professores aposentados da UFPE. Conheceram as rosas do deserto quando foram trabalhar com reprodução de cactus e suculentas na Califórnia, nos Estados Unidos. Há quatro anos, compraram um sítio e resolveram investir na experiência: produzir rosas em Morro do Chapéu.

São 8.000 plantas por ano, com características e formas diferentes. Os professores aposentados trabalham duro para atender a procura pelas rosas. Um exemplar com 18 anos, por exemplo, chega a custar R$ 10 mil e são mais de 400 variedades.

E para aumentar ainda mais a variedade de formas e cores do cultivo, o casal resolveu investir numa técnica sofisticada, conhecida como o cruzamento de espécies diferentes de flores. A operação exige mãos firmes e habilidade de um cirurgião.

Depois de todo o processo de polinização, são necessários de seis a sete meses após plantadas para serem comercializadas e já com a vinda dos botões. Cada vaso, já com a rosa formada, é vendido por R$ 15, mas Damares e Julio dizem que além de ser um bom negócio, a nova atividade representa uma mudança importante na vida do casal

"O que nos deixa mais felizes aqui é exatamente estarmos sendo produtivos, já aposentados, mas ainda deixando um legado para as novas gerações. Também porque estamos vivendo com qualidade de vida", conta Damares.

Graças ao trabalho de agricultores como os dois, aos poucos, a produção de flores vem crescendo e se consolidando como fonte de renda na região. Um novo negócio, que pode deixar ainda mais bonita, e colorida, a paisagem da Chapada Diamantina.



Globo Rural / Globo 

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