JACOBINA @ População apreensiva com possível acidente na barragem de rejeitos da mineradora Yamana Gold, pede providências às autoridades - Observador Independente

JACOBINA @ População apreensiva com possível acidente na barragem de rejeitos da mineradora Yamana Gold, pede providências às autoridades

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Crédito da foto :: Almacks Luiz / Reprodução Facebook


*  Veja vídeo da devastação em Brumadinho no final deste artigo
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Em caso de acidente ou sabotagem cerca de cinco comunidades serão afetadas diretamente com cinco mil pessoas vítimas em potencial. Corrupção, desmando, descaso são indícios de que a cidade no piemonte da Chapada Diamantina pode ser a próxima vítima. 

Para entender o drama 

Quatro das 24 barragens de rejeitos de minérios existentes na Bahia possuem classificação idêntica à Barragem do Fundão, que rompeu no último dia 5, em Mariana (MG), deixando um rastro de morte e destruição por mais de 650 km, após uma lama de resíduos ser liberada com o rompimento de um reservatório. 

Duas delas ficam em Jacobina, no Centro-Norte do estado, e as outras duas em Santaluz, no Nordeste baiano, onde as barragens possuem dano potencial associado (DPA) considerado alto pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), atual ANM — Agência Nacional de Mineração.


Apesar disso, elas não aparecem entre as 16 mais inseguras do país, segundo relatório divulgado em abril pela própria ANM, e apenas uma está em plena atividade. 

As outras não têm sido utilizadas, mas armazenam material de rejeitos - a Barragem 01, em Jacobina, inclusive, preencheu toda a capacidade de armazenamento em 2008. Já as de Santaluz não estão ativas, segundo a Fazenda Brasileiro S/A, subsidiária da Yamana, que administra as barragens. 

As quatro, assim como ocorria com a barragem do Fundão - que despejou 55 milhões de m³ cúbicos de rejeitos de minério de ferro na natureza -, também coincidem na classificação da Categoria de Risco (CRI), que é baixa. “Se o CRI for baixo, mesmo com DPA alto, a barragem não é necessariamente perigosa”, explica o chefe da Divisão de Fiscalização do DNPM (ANM), Eriberto Leite. 

A semelhança entre os perfis, no entanto, ligou o alerta entre a população que vive próxima dessas estruturas e a cidade está com receio que fato idêntico ao acontecido em Brumadinho venha a ocorrer. 
Crédito da foto :: Augusto Urgente / Reprodução

A questão que está posta é: Ninguém sabe a verdade dos fatos. Exemplo? Segundo os dirigentes da empresa que administra a Barragem em Brumadinho disseram à imprensa, “a Barragem havia sido inspecionada há poucos meses”. Mentiram ! 

No caso da Yamana Gold uma das preocupações diz respeito à falta de transparência, honestidade e respeito aos moradores quando omitem principalmente com relação aos planos de evacuação em caso de acidente, as medidas que são adotadas, os riscos reais e assim por diante.

Estes planos são apresentados pelas empresas para conseguir a licença de funcionamento. Até agora, nenhum foi posto em prática obviamente por que existe apenas no papel e pode, muito bem ser clonado de qualquer outra região.

Um plano de contingência nunca pode ser elaborado sem a participação direta da comunidade que pode ser afetada, até por que as pessoas que são vítimas em potencial precisam conhecer o PLC-Plano Local de Contingência.

Fiscalização precária 

Uma reportagem publicada pelo portal Correio24Horas afirma que não há estrutura dentro ou fora da mineradora Yamana Gold para alertar os moradores do entorno da empresa e ao longo do percurso do rejeito, em caso de acidente. 

Segundo o Correio, tudo é muito solto e de improviso. O site descreve a situação,

Sem aviso: Sem alertas sonoros na região onde está instalada, que serviriam para avisar a população em caso de acidente, a Barragem 02, também administrada pela Yamana Gold, em Jacobina, é a que mais preocupa, segundo o engenheiro de Minas e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) José Baptista Oliveira. Ele também cita o perigo que pode representar o vazamento dos rejeitos nas quatro barragens com alto potencial de devastação, já que todas trabalham com o beneficiamento de ouro. 
e continua, 
É comum fazer o processo de lixiviação do ouro com cianeto, que é uma substância tóxica e pode matar, 
citou. 
Ele também lista o arsênico como produto comumente usado para obter o minério e que pode causar danos graves à saúde.  O CORREIO questionou a Yamana sobre as substâncias presentes em suas barragens de rejeito, mas a empresa não especificou quais são utilizadas. Em relação à Barragem 01, que está sendo desativada, a companhia informou que continua monitorando a estrutura, que foi aterrada. 

Alcance e devastação
Crédito da foto :: G1/Globo

As barragens de Jacobina ficam próximas a comunidades que reúnem cerca de 5.000 habitantes, considerando apenas bairros como Pontilhão de Canavieiras, Lagoa de Antônio Teixeira Sobrinho, Catuaba, Jacobina III e IV e Novo Horizonte. No caso de Brumadinho apenas parte da área rural foi afetada. 

Em Jacobina, o cenário é indescritível já que ao longo do percurso da massa de água, rejeito misturado com cianeto e destroços acabarão indo parar exatamente no centro da cidade. A barragem fica a pouco mais de oito quilômetros do centro da cidade. 

Perigo em potencial 

Um eventual rompimento da Barragem 02, que tem capacidade para receber 27 milhões de m³ de rejeitos (o equivalente a 10.800 piscinas olímpicas, ou seja, quase a metade do total de rejeitos liberados em Mariana), por exemplo, poderia causar um dano ambiental sem precedente na Bahia. Atualmente considerando que 16% do reservatório está preenchido, e a projeção é que chegue a sua totalidade já em 2020, imagine o potencial ofensivo dessa massa de material venenoso.  

Precedente e absoluto descaso 

Em 2015, o Secretario de Meio Ambiente da prefeitura de Jacobina, foi questionado por Giulia Marquezini do Jornal Correio da Bahia, que apurava, à época, assim como atualmente, denuncias sobre a barragem de rejeitos da Yamana Gold. 

Durante a conversa ficou patente o descaso do então Secretário de Meio Ambiente de Jacobina e a despreocupação com o tema. Segundo divulgado pelo Correio, questionado pela jornalista, se um eventual acidente poderia atingir o Rio Itapicuru, que ajuda a abastecer 54 cidades, só desaguando em Prado, no Litoral Sul do estado, Ivan Aquino respondeu simplesmente que, 

Poderia descer água suja em direção ao rio, mas o material já estaria bem dissolvido. O afluente (Itapicuruzinho) tem 12 km de extensão, e destes, apenas cinco seriam atingidos, causando possivelmente o assoreamento, 
amenizou o secretário de Meio Ambiente de Jacobina, Ivan Aquino. 

Na construção deste artigo ficou claro também o descaso com a vida da população local por parte do DNPM (ANM). Questionado sobre fiscalização, denuncias e irregularidades praticadas pela Yamana Gold, apesar de ser algo considerado provável, já que há registro de acidente com vazamento na Barragem 01, em Jacobina, a ANM desconversou. 

O questionamento ao órgão foi porque segundo um relatório do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura da Bahia (Crea-BA), de outubro de 2006, apesar de não ter sido constatado vazamento de material de rejeito de minério, foi necessário fazer medição na qualidade da água do rio no seu entorno, após a fuga de material. 

Um geólogo da entidade considerou que o tal “acidente” foi em decorrência de “problemas operacionais na unidade de beneficiamento” e pediu para que a empresa fornecesse os “estudos e projetos que garantissem a segurança do barramento”. 

O vazamento foi verificado durante a Fiscalização Preventiva Integrada (FPI), uma atividade periódica promovida pelo Crea-BA à época, para mapear irregularidades que coloquem em risco a vida das pessoas. 

Apesar dos cenários caóticos imaginados e da preocupação e dos péssimos exemplos de fiscalização, com sucessivos rompimentos de barragens no Brasil, para o superintendente do DNPM,(ANM) a época, Osmar Almeida da Silva, incidentes como o ocorrido em Mariana não acontecem de um dia para o outro. 
São eventos muito lentos, mas não podemos negligenciar o desastre. Deve ser feita uma perícia para explicar o desastre, inclusive, para que sirva de lição, 
disse. 


Também em 2015 a Frente Parlamentar Ambientalista da Bahia e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (Crea-Ba) visitaram a barragem de rejeito da Yamana Gold, em Jacobina, motivada por denúncias da população onde afirmaram que a barragem estava operando em situação similar as da mineradora Samarco, em Mariana (MG). 

A Samarco rompeu uma semana antes, atingindo pelo menos 140 residências, em uma onda de lama e dejetos que alcançou 500 km, com danos irreversíveis ao Rio Doce e ao ecossistema da região. 

Destas visitas, conversas, entrevistas, denuncias, etc., nada surtiu efeito contra a Yamana Gold justamente pelo poder oferecido por quem opera mensalmente dezenas de quilos de ouro, desconsiderando a vida da população afetada em um único dia. 

Por outro lado, a prefeitura local pouca importância dá aos fatos que estão na ordem do dia como os citados. No caso da prefeitura, dinheiro para campanha política de prefeitos, vereadores, etc., banca a omissão. 

Ninguém quer se arriscar a bater de frente com a toda poderosa mineradora. A imprensa local na maioria das vezes se cala por pura conveniência. Não se tem notícia de apuração por parte do MPF-Ministério Público Federal de nenhuma denuncia contra a empresa por crimes ambientais, inclusive porque nada lhe chega oficialmente. 

O MPE-Ministério Público Estadual até que tenta, mas em um estado dominado pela corrupção nas altas esferas do Judiciário baiano, um Promotor de comarca do interior, por mais esforçado que seja, dificilmente conseguirá levar à frente um processo contra uma empresa do porte da Yamana Gold. 

Noutro viés, poucas pessoas comuns se arriscam a denunciar qualquer coisa com RG e CPF, com medo de represálias, sejam nas esfera comercial, vínculo de emprego ou até mesmo pessoal. 

Uns poucos que oferecem denuncias fundamentadas, apontando os riscos, defeitos de operação e outras mazelas produzidas pela mineradora desde que chegou à região, não consegue levar muito à frente a atitude de defesa dos interesses da comuna uma vez que a própria população não apoia. 

Exemplo prático, o cidadão Almacks Luiz Silva há anos vem travando verdadeiras batalhas isoladas contra a devastação ambiental provocada pela Yamana Gold, ficando na maioria das vezes falando sozinho. 

Desta feita com a foice e o martelo zumbindo sobre a cabeça para a degola iminente trazida pela devastação que pode atingir qualquer morador da cidade, a qualquer hora do dia ou da noite, nas redes sociais a população pede socorro. Vamos ver se Brasília vai ouvir, porque na Bahia as esferas governamentais não ouvirão. Na prefeitura de Jacobina, muito menos.

Os riscos e comparação 
Crédito da foto :: Reprodução da internet

A segunda Barragem de Rejeito da Yamana Gold em Jacobina – Bahia, tem uma área de 34 (trinta e quatro) hectares, talude (paredão) de 55 (cinquenta e cinco) metros de altura e capacidade para 13 (treze) milhões de toneladas de material. 

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a barragem VI no Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), que se rompeu na tarde desta sexta-feira, 25, tem volume de 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração. 

Tire suas conclusões. 

O NI - 43.101 atesta que a mina ainda tem um potencial de 33,9 milhões de toneladas de material para ser processado. Você já imaginou quantos milhões de toneladas em material já foram depositados na primeira barragem? 

Traduzindo... 

Risco é a função que associa a probabilidade de ocorrência de um evento indesejado, com a gravidade das consequências deste evento, caso ele venha ocorrer. Perigo é a condição ou conjunto de circunstâncias, que tem o potencial de causar ou contribuir para uma lesão ou morte (Sanders, Meccormick 1998). 

Você se assombrou com esses números? Fique sabendo que vão ser preciso construir mais 5 (cinco) barragens de rejeito deste porte para suportar a quantidade de material que serão moídos na Planta da Yamana Gold em Jacobina e ficará para o resto da vida o perigo para a população do entorno da mina e da cidade. 


  • O NI – 43.101 é um estudo em que as empresas mineradoras precisam para poder colocar suas ações nas Bolsas de Valores, provando o potencial minerário do empreendimento. Este documento atesta que o potencial minerário das Minas de Jacobina sob o domínio da Yamana Gold tem um potencial: 33,9 milhões de toneladas com teor de 2,39 g/t de ouro; 

  • Destes, 15,8 milhões de toneladas com teor de 3,1 g/t de ouro, perfaz um total de 59,7 milhões de toneladas de rochas que serão moídas e forçosamente terão que vir para uma barragem de rejeito. 
Quem viu ou conferiu a autenticidade destes documentos? Quem concedeu a outorga (DNPM-ANM) sabe dos riscos que a população está correndo atualmente ?

E os investidores na Bolsa de Valores sabem dos riscos que a empresa está submetendo a população?

E você jacobinense já sabe que depois disso, quando acabar o ouro, ficará apenas o passivo ambiental e os riscos até mesmo de desabamento (solapamento) das galerias (minas) subterrâneas cujo abalo poderá inclusive provocar tremores de terra e estremecimentos diversos em toda a região. 

Mas, parece que a população está acomodada com a situação apenas se lembrando de que pode ser a próxima vítima a qualquer momento, quando ocorre alguma desgraça em algum lugar ou com alguma barragem. 

É assim que é. Falar em fechar a Yamana Gold é arrumar briga com boa parte da população que, por incrível que pareça, acredita no marketing da empresa quando afirma que boa parte da riqueza gerada fica na cidade. 

Piada de muito mau gosto que com certeza o tempo se encarregará de desmentir. 

Complementando ... 

Em Santaluz, segundo a Fazenda Brasileiro S/A, subsidiária da Yamana, a suspensão das atividades nas duas barragens de alto dano potencial não interrompeu o monitoramento, que continua sendo feito de acordo com o Sistema de Gestão de Barragens (Sygbar). 

A empresa informou que a Barragem de Flotação e a Barragem de Lixiviação apresentam atestado de estabilidade comprovado por um auditor externo. Ainda conforme a mineradora, estão sendo realizados novos testes de recuperação metalúrgica e estudos econômicos no local. 

AS QUATRO BARRAGENS DA BAHIA COM DANO POTENCIAL ELEVADO

Barragem 01 - Atingiu sua capacidade máxima de 8 milhões de m³ e foi fechada em Jacobina, sendo aterrada e submetida a processo de revegetação. Tem 61 m de altura. 

Barragem 02 - Construída em 2009, perto da primeira, tem 10 m de altura em seu barramento e capacidade de armazenar 27 milhões de m³. 

Barragem de Flotação - Fica em Santaluz e apresenta 38 m de altura e 18,6 milhões de m³ de capacidade. Está desativada. Empresa ainda está reavaliando a reativação. 

Barragem de Lixiviação - Tem 32 m de altura e capacidade de receber 2,3 milhões de m³ de rejeitos de minério. Também está sob reavaliação.

Veja o vídeo abaixo da devastação produzida em Brumadinho,




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