Salvador vive caos no trânsito com volta às aulas e 11 obras simultâneas na cidade - Observador Independente

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quinta-feira, março 17, 2022

Salvador vive caos no trânsito com volta às aulas e 11 obras simultâneas na cidade



Tempo de deslocamento e gasto com gasolina cresceu com enormes congestionamentos na cidade.

Metro 1

Horário de almoço e o desejo de buscar o filho na escola. Uma atividade comum, que poderia ser feita em poucos minutos, agora pode deixar o motorista preso no trânsito por mais de uma hora.

Nos últimos meses, dirigir em Salvador se tornou um desafio ainda mais intenso num cenário que reúne volta às aulas, fim do isolamento social e inúmeras intervenções em ruas e avenidas da cidade.

Em um levantamento feito pela Transalvador, a pedido do Jornal da Metropole, foram identificadas 11 obras em curso na capital baiana que geram alguma alteração no trânsito, ainda que temporária (veja cada uma no infográfico ao lado). As intervenções acontecem em diferentes pontos da cidade, a exemplo da Avenida 29 de Março, Avenida Paulo VI (Pituba), Avenida Dom João VI (Brotas) e Avenida Milton Santos (Ondina).

O próprio órgão ainda explica que “diante da dinamicidade do trânsito, algumas outras obras, muitas delas emergenciais, podem surgir”, o que faria o número de intervenções aumentar.

Para os motoristas, regiões como as Avenidas Tancredo Neves, Magalhães Neto e Lucaia são atualmente os pontos que geram mais dor de cabeça. “Ir em casa almoçar com a família era um hábito que eu sempre gostei de cultivar. Agora, ficou impossível. Se saio, perco todo meu horário de almoço”, conta a arquiteta Maria Clara Matos, moradora do Itaigara. Motorista por aplicativo há cinco anos, Vinícius Passos não tem dúvidas em apontar esse como o momento mais difícil para se dirigir na capital baiana. “É o pior momento em todos os sentidos, nas regiões que tem obra você entra e passa no mínimo 30 minutos praticamente parado. Às vezes, a gente tem que fazer uma volta maior com o passageiro para não passar em certas regiões.

Outras vezes a gente deixa de aceitar a corrida só pelo engarrafamento que já sabe que vai ter”, detalha o profissional. Ele exemplifica que uma corrida entre o aeroporto e a região da Tancredo Neves, que antes costumava ser feita em cerca de 25 minutos, agora pode chegar a mais de uma hora. Outro complicador é que, mais tempo preso no engarrafamento, também o faz gastar mais combustível, em um momento em que a gasolina tem custado, em média, R$ 7,99 na capital baiana.

O superintendente da Transalvador, Marcus Passos, reconhece que o momento é complicado. Para o chefe do órgão de trânsito, o desafio se intensifica pela característica do período, que reúne algumas especificidades.

“Estamos vivendo, depois de dois anos, o momento de retorno, onde a vida voltou praticamente à normalidade. Escolas e faculdades voltando, empresas que estavam em home-office retornando. Tudo isso faz com que mais veículos voltem a circular”, explica.

O cenário detalhado pelo superintendente é ainda mais complicado em faixas específicas, os chamados horários de pico. Nas primeiras horas da manhã, próximo ao meio-dia e o início da noite são momentos em que, diariamente, as ruas da cidade são tomadas pelo som das buzinas dos carros presos no congestionamento. Áreas com uma concentração maior de escolas acabam se tornando lugares onde a situação pode ficar ainda mais complicada.

“Com o tempo de ensino remoto muitos transportes escolares deixaram de funcionar e não voltaram esse ano. Então, se antes um transporte levava 15 alunos, agora temos 15 veículos a mais na rua para levar cada um desses alunos individualmente. Isso aliado ao desejo do pai de levar seu filho nesse retorno é mais um fator para aumentar o número de carros na rua”, detalha Passos.

Ele ainda explica que a Transalvador intensificou, em 2022, as ações da Operação Volta às Aulas, com agentes atuando na fiscalização e orientação dos motoristas nas portas das escolas.

MAIS TRANSTORNO PELAS OBRAS

Entre as obras em curso na cidade, a obra da chamada ‘Nova Tancredo Neves’, talvez seja uma das mais complexas. O trecho que envolve a criação de uma ligação subterrânea entre a Tancredo Neves e a Magalhães Neto foi iniciado em dezembro de 2020 e, após sucessivos atrasos, teve a previsão de conclusão esticada para maio deste ano.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas de Salvador (Seinfra), que explicou que os atrasos aconteceram “devido à redução da força de trabalho no período de medidas restritivas de enfrentamento à Covid-19, seguido do período chuvoso nos últimos meses e, mais recentemente, pelo afastamento de 40% dos funcionários da empresa executora devido à variante ômicron do coronavírus, diminuindo assim o ritmo da obra”.

A nota ainda explica que, durante a noite, é feita apenas uma atividade específica. “A escavação se faz necessária devido a movimentação de veículos pesados. Esclarecemos que, se realizada durante o dia, a escavação pode comprometer ainda mais a mobilidade no local”, diz a nota enviada pela Seinfra. Sobre o prazo de entrega em maio, a pasta afirma que ainda pode haver alterações na data.

“A gente tem acompanhado de perto cada uma das intervenções, debatido sobre cada situação que surge, os impactos existem, não dá para negar, nós trabalhamos para minimizá-los. A população precisa ter um pouco de paciência e de consciência. São intervenções que agora causam desconforto, mas que trazem melhoria e qualidade de vida no futuro”, defende Marcus Passos.




Foto: Dimitri Argolo Cerqueira - Metropress

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